Continuando a defender a suspensão do modelo de avaliação proposto pelo Governo, centenas de professores vila-realenses voltaram a sair à rua na terça-feira, o dia que marcou o início da semana de manifestações, de Norte a Sul do País.
“Hoje juntamo-nos às manifestações aprovadas” pelos 120 mil professores que, em Lisboa, participaram na contestação do último dia oito, explicou Carlos Taveira, da Federação Nacional de Professores (FENPROF).
Segundo lembrou o mesmo dirigente sindical, as manifestações descentralizadas pelas várias regiões do país têm como motivação a “exigência da suspensão do actual modelo de avaliação e de todas as outras questões responsáveis pelo mal-estar nas escolas e na educação, nomeadamente a divisão da carreira em duas categorias, professores e titulares”.
Sobre a simplificação do modelo, pensada pelo Ministério da Educação, Carlos Taveira considera que esta não passou de uma “operação de cosmética”, uma tentativa de “deitar poeira para os olhos dos professores”.
“A própria ministra reconheceu, tacitamente, que o modelo, na sua essência, se mantém”, sublinhou o sindicalista lembrando que, se o Governo não suspender o modelo, então serão os próprios professores a fazê-lo. “Mais de 300 escolas já pararam o processo, outras estão a seguir o exemplo, por isso, só resta uma solução para o Ministério da Educação”, revelou Carlos Taveira, sendo de realçar que, na área de intervenção da FENPROF em Vila Real, a totalidade das escolas já têm o processo de avaliação estagnado.
Octávio Gonçalves, do movimento PROmova, que também se juntou à jornada de luta dinamizada pela plataforma sindical, considera que o Governo “queria a todo o custo que o modelo fosse implementado até ao final do ano, com todos os seus erros e à custa do sacrifício dos professores, dos alunos e da qualidade do ensino, só para ter como bandeira eleitoral a implementação de um modelo de avaliação”.
“Os professores estão mais unidos do que nunca”, mas é lamentável que “os professores tenham que andar repetidamente na rua para poderem ser ouvidos”, concluiu.
Com o braço de ferro entre docentes e Governo, sem um fim à vista, de norte a sul, os professores vão continuar a manifestar-se, estando previstas, para a próxima semana, várias greves regionais que culminarão com uma greve nacional, no dia três de Dezembro.


