Quinta-feira, 11 de Agosto de 2022

“A situação financeira da EMAR é, como sempre foi, equilibrada”

O anterior conselho de administração da empresa municipal responsável por gerir a água e os resíduos do concelho veio a público, de rosto levantado e “consciência de dever cumprido”, para responder às acusações da autarquia, acusando o novo executivo socialista de “extrapolar” o resultado do relatório da auditoria à EMAR falando em prejuízos na ordem dos 13 milhões quando o atual passivo é de 6,7 milhões.

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Os antigos membros do Conselho de Administração da Empresa Municipal de Águas e Resíduos de Vila Real (EMAR) respondeu, no dia 14, às acusações feitas em junho pelo executivo socialista da Câmara Municipal sobre as contas da empresa, considerando que a auditoria não trouxe nada de novo mas que foi feita uma leitura “errada” e “desonesta” dos números.

“As contas de qualquer empresa são analisadas e lidas por princípios contabilísticos, tudo o resto são distorções da realidade”, explicou Miguel Esteves, ex-presidente do Conselho de Administração da EMAR, considerando que “as afirmações feitas revelam desconhecimento das regras contabilísticas”.

Rui Santos, atual presidente da Câmara, denunciou em junho que o resultado da auditoria apanhou o executivo “de surpresa” pela “situação caótica” que foi encontrada na empresa, nomeadamente “um prejuízo por ano de mais de um milhão de euros, sendo que o total pode chegar aos 14,5 milhões”.

Contrapondo os números apresentados, António Camilo Areias, do antigo Conselho de Administração, garante que “os auditores fizeram uma análise correta da situação atual da EMAR” e a autarquia é que fez “uma extrapolação” com o objetivo de fazer uma “política de lama”.

“Ora, conforme e referido no próprio relatório da auditoria, o ativo da empresa era, em setembro de 2013 de 30,4 milhões (28,9 milhões em dezembro)”, calculou Miguel Esteves, revelando ainda que o passivo era de 8,1 milhões em setembro e de 6,7 milhões em dezembro, uma redução fruto da amortização de cerca de 1,2 milhões nas dívidas à Água de Trás-os-Montes e Alto Douro (AdTMAD) e à Resinorte (empresa de gestão de resíduos) durante o ano de 2013.

“Os resultados transitados não são dívida. Estes não podem ser somados a nada pois encontram-se plasmados no ativo da empresa”, reforça o ex presidente da EMAR, deixando sempre a certeza de que “as contas são, como sempre forma, públicas e auditas por auditores externos” e que “a situação financeira é equilibrada e devidamente enquadrada nos relatórios e contas, nomeadamente de 2010, 2011, 2012 e 2013, recentemente aprovados pelos novos executivos (conselho de administração e Câmara Municipal).

Miguel Esteves lamenta que a auditoria feita não tenha como objetivo “a deteção de estrangulamentos e a melhoria do grau de eficiência da organização”, mas sim seja utilizada como “arma de arremesso político, pondo em causa da credibilidade da empresa e daqueles que a ela dedicaram parte das suas vidas, com total entrega e empenho ao serviços aos cidadãos, empresas e instituições do concelho”.

O mesmo responsável, contrapõe as dúvidas levantadas ao nível da gestão e da alegada “falta de definição de estratégia e missão” enumerando um conjunto de documentos como planos diretores, relatórios e contas e vários outros documentos.

“É transmitida a ideia que a empresa funcionou sem regras, o que, de todo, não podemos admitir”, sublinhou ainda Miguel Esteves, lembrando que a ser assim como teria sido possível nos dez anos da sua existência, construir e reabilitar cerca de 89.400 metros de rede de abastecimento de água e 82.200 metros de novas redes de esgotos” e “gerir cerca de 28 mil contadores”.

“Como é que a empresa se tornou, segundo dados da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos, numa das estruturas mais eficientes da região Norte e a mais eficiente da região Norte interior”, questionou.

Reforçando a ideia de que as “contas são claras e transparentes”, António Camilo Areias defendeu ainda que “a EMAR não é uma empresa comercial”, é uma “empresa social”. “É uma empresa que existe para prestar o melhor serviço aos cidadãos ao melhor preço possível, e com o mínimo de lucro e prejuízo”.

Miguel Esteves conclui dizendo que o conselho de administração que liderou tem “plena consciência do dever cumprido”, de ter “tomado as decisões com total espírito de missão” e de que “voltaria a tomar grande parte dessas decisões tendo em linha de conta a realidade e as circunstâncias dos momentos”.

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