“A Voz de Trás-os-Montes” cumpriu mais um ano de publicação regular, mantida, ininterruptamente, com pontualidade exemplar.
Quero associar-me ao júbilo dos que o fazem aparecer semanalmente e dos seus leitores e assinantes. A ausência física da Diocese, desde o dia 16 de Outubro, por motivos de doença, e as longas horas de recolhimento permitiram-me um contacto diário mais demorado com a imprensa e outros meios de comunicação social. Pude observar os seus conteúdos e centros de interesse e a dimensão regional, nacional e internacional de alguns deles.
Parece-me ser geral a preocupação pela objectividade e a atenção aos acontecimentos religiosos insólitos ou tomados com tais. A liberdade de opinião permite os comentários mais desencontrados, tanto em temas sociais como nos de cariz religioso e, especificamente, católico, e aí se sente, cada vez mais, a necessidade de um comentário doutrinário e teológico mais aprofundado.
De facto, o desconhecimento da originalidade da doutrina cristã e da sua história leva as pessoas a fazerem a análise dos factos religiosos pela grelha da sociologia, das ciências humanas, da filosofia da moda, e uma tal leitura, sendo humanamente compreensível, é objectivamente desfocada. É por isso que, numa sociedade pluralista, se torna necessária a existência de jornais de orientação cristã, não só para a educação cristã dos leitores mas também para enriquecimento da própria opinião pública.
Quando se fala de jornais de orientação cristã, isso significa, em primeiro lugar, o rigor posto no relato dos factos noticiados e o respeito pelas pessoas implicadas na notícia cuja honra e vida privada é preciso salvar, sem insinuações descabidas; em segundo lugar, a orientação cristã revela-se na selecção das notícias a transmitir, dando prioridade aos acontecimentos de carácter público e com dimensão social em detrimento de episódios individuais, sem consequências; finalmente, a leitura cristã requer uma reflexão oportuna sobre os factos, feita a partir das coordenadas doutrinárias da mensagem cristã, o que supõe uma razoável informação doutrinária do comentador. Nos nossos dias, o clima de laicismo e de relativismo, difundidos na cultura actual, os quais desvalorizam a especificidade da verdadeira dimensão religiosa, substituindo-a por uma leitura sincretista, torna mais urgente esse comentário e informação religiosa. É por isso que alguns jornais cristãos incluem, nas suas edições festivas, a publicação de alguns documentos oficiais de menor dimensão que permitem ao leitor ir estruturando o seu pensamento.
Este semanário tem no seu editorial e na sua história esta vocação.
Também por isso envio ao seu dinâmico Director e a todos os colaboradores a minha saudação, no início deste novo ano de vida de “A Voz de Trás-os-Montes”.
*Bispo de Vila Real


