Segunda-feira, 28 de Novembro de 2022

Abastecimento público garantido, no próximo Verão

As catorze barragens integradas na empresa “Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro” estão quase na capacidade máxima de retenção de água. Os seus valores rondam os 95%, garantia de que, no próximo Verão, não haverá problemas, no abastecimento de água às populações da região transmontana e duriense.   A elevação dos níveis de água nas […]

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As catorze barragens integradas na empresa “Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro” estão quase na capacidade máxima de retenção de água. Os seus valores rondam os 95%, garantia de que, no próximo Verão, não haverá problemas, no abastecimento de água às populações da região transmontana e duriense.

 

A elevação dos níveis de água nas albufeiras tem a ver com as condições meteorológicas, em particular com o Outono e princípio de Inverno que foram chuvosos.

Segundo os dados da ATMD, referentes ao último mês, a Barragem do Sordo encontra-se no volume máximo de retenção de água, uma situação quase constante, nos últimos meses.

 

Fazendo uso racional e

eficiente da água,

as populações podem estar tranquilas, este ano

 

O Nosso Jornal ouviu Alexandre Chaves, Presidente do Conselho de Administração da ATMD que fez o ponto da situação, no que concerne aos níveis das albufeiras da região e, consequentemente, abordando o abastecimento do precioso líquido, às populações.

“O limite máximo de capacidade de retenção das barragens está quase a cem por cento. Adivinha-se, por tal, um ano em que as comunidades da região, caso façam uso racional e eficiente da água, podem estar tranquilas quanto ao seu abastecimento, durante o próximo Verão”.

Segundo este responsável, “esta capacidade deriva dos finais de 2006 e já deste ano que têm sido bons, em termos pluviométricos, acima do normal, no que se refere à pluviosidade”.

Alexandre Chaves, apesar deste cenário favorável, focou algumas áreas consideradas críticas.

“As zonas mais sensíveis são as que se situam na zona da Terra Quente e no Douro Superior. Estas regiões têm uma pluviosidade mais reduzida, a evaporação é maior e, mercê das pequenas dimensões das barragens, será onde poderá haver dificuldades, para os meses quentes que se avizinham. Estamos a dedicar particular atenção a Torre de Moncorvo (Barragens de Palameiro, Vale Ferreiros, Salgueiral e do Arroio) que, pela sua volumetria, não serão capazes de abastecer a totalidade do concelho. Por isso é que estamos a fazer a Barragem das Olgas e, já no ano passado, tivemos que ir buscar água ao rio Douro, para abastecer parte do concelho. Estamos, também, a dedicar muita atenção à situação de Lamego. Este concelho é abastecido pelo rio Balsemão, por um pequeno açude e nós temos já montado um dispositivo, a partir da Barragem de Valdigem, para a ETA de Lamego que podemos pôr a funcionar, caso se registe um qualquer SOS. Em Vila Chã que, no ano 2004, nos pregou um susto, descendo aos limites mínimos, em 2006 já esteve bem, e, este ano, tem água suficiente para abastecer o concelho de Alijó, muito embora a sua população tenha que ter um uso racional da água e combater o desperdício”.

 

É necessário investir no

tratamento de água em baixa

 

O Presidente da ATMD referiu, ainda, o problema das fugas que ainda existem, na rede. “Nesta área, temos redes em baixa, de distribuição de água, onde o desperdício varia, de concelho para concelho, sendo, em alguns casos, preocupante. São percentagens que variam entre os 20 e os 55%. Em época de escassez, este desperdício é complicado”.

Para evitar isto, será feito “um grande investimento no abastecimento e tratamento de água residual em baixa. Nós, por vontade dos municípios, no mês de Julho, iremos começar a fazer os primeiros estudos e contactos, para podermos ter a empresa da “baixa” alinhavada, no final do ano, para, entre 2008/09 e 2010/11, começarmos a fazer investimentos, nesta área. Isso irá permitir que Trás-os-Montes e Alto Douro tenha uma situação semelhante a qualquer região do país e da Europa”.

Alexandre Chaves abordou, também, a qualidade das massas de água.

“Nós temos um estudo característico de cada massa de água das barragens e, em função deste estudo, assim a tratamos. O estudo é realizado pelo INAG e temos uma monitorização que nos dá conta de qual é a sua qualidade, para, depois, a tratarmos, devidamente”.

 

Para o futuro, deverão estar concluídas cinco barragens

 

“Neste momento, a nossa grande preocupação é construir as cinco barragens que estão em curso: Ferradosa (Freixo de Espada à Cinta), Olgas (Torre de Moncorvo), Sambade (Alfândega da Fé), Torre do Pinhão e Pretarouca (Lamego). Temos, ainda, mais duas: a do Cabouço, a ser construída pelo Ministério da Agricultura – neste momento procede-se à transição do projecto, da Câmara Municipal para a Direcção Regional da Agricultura – está a ser tramitada, com o apoio da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte. Esperamos que, ainda em 2007, o Ministério da Agricultura e a Direcção Regional de Agricultura do Norte (sediada em Mirandela) faça o lançamento do concurso público. Depois, temos, em Bragança, a Barragem das Veiguinhas que teimamos em querer construir. Esta barragem já teve dois estudos de impacto ambiental negativos, estamos, agora, a partir para um terceiro estudo, convencidos de que, com o abastecimento de água ao concelho de Bragança e partes limítrofes do concelho de Vinhais, tem que ser feito a montante de Bragança, ou seja, na zona de Montesinho”.

Segundo Alexandre Chaves, “a qualidade das massas de água varia. Num ano chuvoso e, por arrastamento dos inertes, apresenta condições menos favoráveis ao tratamento, mas, depois, com a quantidade de água, há uma diminuição e melhora a qualidade. Ou seja, em ano chuvoso, a água é melhor. Acontecendo o contrário, há mais dificuldade em ser tratada. Estas barragens têm as suas especificidades. Estão situadas em zonas agrícolas, de forte estiagem e de evaporação, provoca o aparecimento de algas, pelo que teremos de ter muito rigor, a garantir água de qualidade”.

 

Situação animadora nas

barragens do distrito

 

Ao todo, neste momento, existem, disponibilizados para consumo de água das populações, cerca 170 milhões de metros cúbicos de água, nos vários aproveitamentos existentes em Trás- -os-Montes e Alto Douro. No que concerne ao Distrito de Vila Real, o cenário é animador. A barragem do Sordo está na sua cota máxima (522,20 m) e apresenta uma volumetria de 1 milhão de metros cúbicos de água. Possui uma altura de 36 metros. No concelho de Alijó, a Barragem da Chã possui um volume de 1,9 e está também cheia, com uma cota (NPA) de 658,5, para uma altura de 40 metros. No concelho de Chaves, a barragem do Arcossó está quase cheia. Tem um volume de 4.873 e uma cota de 537 metros. Está nos 533 metros, desde há alguns meses.

 

José Manuel Cardoso

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