Com o investimento de 42 milhões de euros na reta final, o Hospital de Lamego já não vai abrir as suas portas em janeiro como estava previsto, mas sim em abril, afirmou o presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD) em declarações a um órgão de comunicação social nacional.
Até à hora de fecho desta edição do Nosso Jornal não foi possível entrar em contacto com o administrador, no entanto, tanto quanto conseguimos apurar, “questões técnicas” estarão na base do atraso na abertura da unidade de saúde que, classificada como de “proximidade”, integra o CHTMAD e terá capacidade para a realização de 10 mil intervenções cirúrgicas por ano.
As previsões apontam ainda para a realização de uma média anual de 60 mil consultas no Serviço de Urgência Básico e o atendimento de 6 mil doentes na Unidade de Dia e no Serviço Domiciliário, bem como contará com 30 camas de cuidados continuados.
De recordar ainda que, a unidade hospitalar vai contar com um Centro de Medicina Física e Reabilitação e um serviço de consultas externas com 14 especialidades médicas (Medicina Interna, Cirurgia, Obstetrícia, Ortopedia, Cardiologia, Pneumologia, Pediatria, Nefrologia, Neurologia, Anestesiologia, Ginecologia, Oftalmologia, Otorrinolaringologia, Estomatologia e Urologia).
Apesar das suas valências enquanto hospital dedicado sobretudo a intervenções em ambulatório, o que permite prever a realização de uma média superior a 27 cirurgias por dia, o Hospital de Lamego levantou muitas questões junto da população local devido à falta de um espaço capaz de internamento, tendo sido mesmo dinamizado pela autarquia e Assembleia Municipal uma petição em defesa da criação do serviço.
Na semana passada foi a vez do Partido Comunista (PCP) de Lamego levantar a voz contra o ‘desenho’ da nova unidade em termos de valências, apresentando a resposta de um requerimento apresentado na Assembleia da República. “A resposta chegou agora e é suficiente para nos deixar profundamente preocupados”, relatam os comunistas, referindo que, segundo o que foi informado, “o tão ansiado novo hospital deixa de ser uma unidade de retaguarda, passando a ser um Hospital de Ambulatório, com graves prejuízos para o regime de internamento. Segundo o Governo, como não podia deixar de ser, a medida justifica-se por questões económicas”.
Em comunicado, o partido sublinha que “se confirmam assim os piores receios e as várias denúncias feitas pelo PCP desde o início deste processo: Lamego deixa de ter um Hospital Distrital ficando apenas com um entreposto de triagem à beira de uma autoestrada”. “Acabam-se as funcionalidades de um verdadeiro hospital, nomeadamente: o internamento, a assistência a doenças crónicas, as urgências com apoio das especialidades ou a existência de camas destinadas a patologias do foro médico ou cirúrgico”, relata os mesmos responsáveis políticos, lamentando que “o chamado Hospital fique reduzido às funções de um Centro de Saúde: Consultas Externas, Tratamentos em regime de Ambulatório e Urgências asseguradas por Clínicos Gerais”.





