Quarta-feira, 4 de Agosto de 2021

Agricultor condenado por ameaçar banco para recuperar dinheiro

Um agricultor, de 56 anos, foi hoje condenado em Bragança por ter ameaçado um banco para recuperar dinheiro que terá perdido, no caso de um funcionário da instituição bancária que alegadamente desviou 300 mil euros de clientes.

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O Tribunal de Bragança condenou o homem pelo crime de extorsão agravada na forma tentada a três anos de prisão, com pena suspensa por igual período, por ter encontrado atenuantes na conduta do acusado, que alegou que a intenção era dialogar com as altas instâncias do banco e receber a quantia que este lhe devia.

O homem diz-se lesado no desfalque que o funcionário da sucursal de Bragança do Millennium BCP fez com dinheiro dos clientes e ao qual a atribui a perda de nove mil euros da conta e outros valores em cheques.

O condenado reclamou também ser ressarcido por investimentos agrícolas e ganhos que deixou de ter em várias cartas registadas e com aviso de receção enviadas ao banco durante o ano de 2019.

Nas cartas começou por pedir meio milhão de euros e subiu para um milhão, ameaçando incendiar várias sucursais se a exigência não fosse atendida e chegou a colocar um bidão com gasolina na sucursal de Bragança, junto às caixas multibanco.

O agricultor chegou a estar preso preventivamente e durante o julgamento confessou os factos, ressalvando que nunca teve intenção de magoar alguém ou cumprir as ameaças, mas apenas de chegar à fala com a administração do banco.

O Tribunal entendeu que cometeu o crime de extorsão agravada na forma tentada, mas condenou-o com a moldura penal mais leve, nomeadamente por um relatório pericial indicar que “à data dos factos sofria de uma perturbação delirante”.

O advogado, Américo Pereira, ficou “satisfeito” com a pena por o tribunal “deixar o arguido em liberdade, embora sujeito a uma pena de prisão suspensa”.

“Acolheu os nossos argumentos que os factos por ele praticados foram praticados num determinado contexto, nomeadamente um contexto de insatisfação e de alguma perturbação mental momentânea, que neste momento já não se verifica”, afirmou.

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