Sábado, 6 de Junho de 2026
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Agricultores derramam 200 litros de vinho nas ruas

Cerca de 300 viticultores durienses participaram na concentração-vigília que a Associação dos Vitivinicultores Independentes do Douro, AVIDOURO, promoveu em frente as instalações do IVDP, seguindo depois para as avenidas de Ovar e da Galiza. Para alertar simbolicamente o Poder Central da grave situação da Região Demarcada do Douro, foram derramados mais de 200 litros de vinho, numa das ruas da cidade duriense (ao lado da Casa do Douro).

No final da concentração foi aprovado um documento que irá seguir para o presidente da República, Governo e Assembleia da República. Manuel Ribeiro foi um dos agricultores presentes na concentração e de corda ao pescoço explicou o significado de tão estranha aparência. “Isto representa o destino dos pequenos viticultores, ou seja, a morte simbólica por enforcamento”. “Com os preços baixos dos vinhos, pagamentos feitos tarde e a más horas, a redução de benefício, a Casa do Douro sem poder e sem competências, onde iremos parar?” – Esta foi uma interrogação comum deixada por outros agricultores (alguns com velas nas mãos) presentes na manifestação.

A dirigente da Avidouro, Berta Santos, garantiu que a crise é tal “que já há muitos agricultores na miséria por não terem o que dar de comer aos seus filhos. Há lavradores que ainda não receberam o dinheiro das colheitas de 2005”. Voltando a abordar a questão do benefício, a dirigente lembrou que ano após ano tem vindo a ser reduzido.

Em 2010, “aparentemente não há redução, o certo é que aumentaram a área beneficiada e desta forma há uma descida real na atribuição do benefício, quando se sabe que é este que garante a sobrevivência do pequeno e médio viticultor do Douro”, sublinhou.

Mas, há outros factores que contribuem para uma das maiores crises sociais que os agricultores do Douro vivem, como é o caso da “constante subida das contribuições para a Segurança Social e o esvaziamento da Casa do Douro” (nenhum dirigente esteve presente na manifestação).

Em síntese, a Avidouro reclama o aumento do benefício, melhores preços para os vinhos na produção, redução no preço do gasóleo, adubos, pesticidas e electricidade agrícola, e mais apoio para a Casa do Douro. “Se isto continuar assim, o Douro caminha para a desertificação e para a miséria”, salientou Berta Santos.

Quanto ao vinho espalhado pelas ruas, este protesto simbolizou a insatisfação crescente dos viticultores, que “estão zangados e que prometem continuar a lutar por melhores condições”, garantiu a dirigente sindical.


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