A temática do stress hídrico e térmico da videira já foi tema de destaque no Nosso Jornal. Na altura, foi salientado os efeitos das alterações climatéricas na região do Douro e o seu efeito na própria qualidade de vinho, e as formas dos viticultores contornarem esta situação. Precisamente na passada semana, o mesmo tema, embora com outras variantes e interlocutores, voltou a ser tema de debate. Especialistas nacionais e estrangeiros abordaram temáticas com diferentes visões sobre a resolução do problema, nomeadamente Cornelis van Leeuwen, Hernan Ojeda e Moutinho Pereira, que têm colaborado com a ADVID em diversos trabalhos de investigação.
Este evento veio na sequência de um projeto que procura conhecer a adaptabilidade da vinha às condições de extrema secura e calor e a forma de as mitigar. O presidente da ADVID, José Manso garantiu, ao Nosso Jornal, que os objetivos da iniciativa “foram plenamente atingidos”. “Ficou demonstrado que existem estratégias que estão a ser implementadas para a questão do stress hídrico e da videira. Como também o acesso dos viticultores às ferramentas e ao conhecimento para gerir melhor esta matéria. Isto não se faz de um momento para outro mas temos as pistas para podermos seguir o caminho”, realçou.
Por sua vez, o diretor regional de Agricultora de Trás-os-Montes, Manuel Cardoso, lembrou que “tudo o que seja para discutir problemas atuais e que se possam resolver, é sempre importante a sua abordagem”. “Todos os viticultores estão alerta em relação às alterações climáticas e as suas implicações na cultura da vinha. Constatou-se que a solução está na utilização regrada da água e não no seu uso indiscriminado. É preciso o uso sustentável deste precioso recurso, alterações nas culturas e na vinha, a fim de evitar o stress hídrico”, sustentou.
Com a realização deste seminário, a ADVID teve como objetivo promover: a reflexão sobre a utilização eficiente de água, enquanto recurso cada vez mais escasso; a monitorização do estado hídrico da videira em função dos objetivos qualitativos; a aplicação de modelos e técnicas de monitorização adequadas à RDD; a apresentação de resultados de trabalhos em curso na RDD; e a definição de bases para a criação de um projeto integrado para monitorização do stress hídrico, térmico e luminoso.
Ano agrícola
em Trás-os-Montes
À margem deste evento, Manuel Cardoso referiu que a produção agrícola em 2012, embora os dados ainda não estejam fechados, foi boa em termos de plantas, mas a quantidade não foi muita devido à seca. “Em termos de preços foi compensatório e de qualidade excecional. O azeite foi um bom setor, o vinho também”, salientou. Porém, deixou um desafio. “Seria de apostar no futuro em muitas das culturas que foram deixadas e que podem ser recuperadas para abastecer mercados europeus, nomeadamente o morango e os produtos hortícolas. Sobretudo, porque nós temos perímetros de regadio que não estão a ser usados em toda a sua plenitude”, concluiu.




