Os habitantes de Mosteirô andam descontentes com o Pároco da Freguesia de Andrães. No diferendo, estão as obras de alargamento de uma entrada que dá acesso ao átrio da Capela da Senhora da Graça. Há duas semanas que não há missa nem qualquer serviço religioso, na localidade. E os ânimos começam a ficar exaltados.
No Domingo, por volta das 10.30 horas, cerca de meia centena de pessoas concentrou-se em frente do local de culto, manifestando o seu descontentamento. Uma das pessoas mais revoltadas era Rosa Pinto: “Fui zeladora, durante doze anos. Servi o Padre Salvador, com dedicação. Na outra semana, ele ainda veio cá e, quando viu as obras, foi-se embora, mesmo depois de lhe ter pedido, por amor de Deus, que ficasse e celebrasse a missa”.
O sentimento desta habitante é extensivo ao restante povo presente. Um misto de tristeza e revolta ficou vincado.
“Abandonou o povo. É como o pastor que deixa o rebanho, ao fim de 25 anos” acrescentou.
Ernesto Esteves Pinto está “do lado do povo”.
“Onde, antes, apenas passava uma pessoa, está agora um portão que permite a entrada de uma camioneta de carga. Esta abertura vai possibilitar obras urgentes na Igreja, onde já chove, além de permitir a entrada do carro funerário e até do carro do senhor Padre que, desde que foi operado ao joelho, tem dificuldade em subir as escadas. O Padre Salvador, na última vez que esteve aqui, chegou à Igreja, deu com os olhos no muro e foi-se embora, mas ele já estava avisado, desde Dezembro, que íamos fazer obras”.
As explicações dos populares não mudam a opinião do Padre Salvador Parente Ribeiro que refuta as justificações. Na missa dominical de Andrães, explicou aos fiéis o motivo do seu descontentamento e o seu temor da finalidade do alargamento do portão.
“Esta questão já vem de trás. Nunca me avisaram do que iam fazer. Quiseram construir um palco para as festas, no átrio e eu não concordei. O alargamento do portão destina-se a possibilitar a entrada daqueles grandes camiões “Palco”, para as festas. Como fizeram tudo à revelia, quando cheguei lá e vi o portão, disse-lhes; agora que o têm, eu vou-me embora”.
Quanto à retoma das missas e demais cerimónias religiosas, “só volto a celebrar a Eucaristia, ali, quando a situação for reposta”.
Jmcardoso


