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Alfaiataria, uma profissão em risco em Vila Real

Longe vai o tempo em que Vila Real contava com um vasto números de profissionais da alfaiataria, a arte de criar peças de vestuário, à medida que o desenvolvimento da indústria da confecção, a proliferação dos pronto–a-vestir e o desinteresse dos mais jovens a estão a “matar”, lentamente. No dia 25, comemorou- -se o “Dia […]

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Longe vai o tempo em que Vila Real contava com um vasto números de profissionais da alfaiataria, a arte de criar peças de vestuário, à medida que o desenvolvimento da indústria da confecção, a proliferação dos pronto–a-vestir e o desinteresse dos mais jovens a estão a “matar”, lentamente. No dia 25, comemorou- -se o “Dia do Alfaiate” e o Nosso Jornal foi conhecer de perto o trabalho de quem ainda ganha a vida “ponto a ponto”

Por entre metros e metros de tecido, botões e linhas de todas as cores, José Guedes, de 49 anos é um dos mais jovens alfaiates de Vila Real. No “Dia do Alfaiate”, efeméride instaurada em meados da década de 70, exactamente para promover o convívio entre os artesão da profissão histórica, José Guedes, carinhosamente conhecido, entre a clientela, como “Zé Bainhas”, fez o esboço de uma vida dedicada à arte que lhe “está no sangue”.

“Aprendi com o meu pai, assim como os meus sete irmãos, mas hoje apenas eu me dedico à alfaiataria”, explicou o artesão que já conta com 35 anos de profissão. Depois de vários anos a trabalhar na Régua, na alfaiataria da família, José Guedes mudou–se para a capital de distrito, para trabalhar numa confecção, onde, também por entre tecidos e moldes, conheceu a sua esposa, Ana Guedes que, ainda hoje, também trabalha, como costureira.

Depois de dois anos de trabalho na fábrica têxtil, o alfaiate abriu o seu próprio negócio e há 16 anos que está estabelecido no edifício Mantas.

“Na altura, havia muitos alfaiates. Hoje, não devemos ser meia dúzia a trabalhar em Vila Real”, contabilizou José Guedes que, apesar de contar com quase meio século de vida, deve ser “o mais novo” dos alfaiates vila-realenses.

Lamentando, sobretudo, o distanciamento dos jovens à profissão, José Guedes garante que já teve dois ou três “aprendizes”, no âmbito de estágios de cursos profissionais que, no entanto, não escolheram fazer da alfaiataria a sua ocupação principal.

“O meu pai ensinou muitos jovens mas hoje não há quem se interesse”, sublinhou o alfaiate, adiantado que “até me dava jeito um ajudante…”

Apesar de trabalhar muito com o arranjo de roupas, o artesão considera “óbvio” que o que lhe dá mais prazer é fazer uma peça completamente nova. Três metros de tecido, três dias de trabalho, muita linha, forro, botões e fechos são, apenas, alguns dos ingredientes para a criação de um fato de homem completo que é enriquecido com a mestria de um verdadeiro alfaiate. Mas se os alfaiates cada vez são em menor número, não é menos verdade que é também cada vez mais difícil comprar a matéria-prima, para a realização do ofício.

“Embora ainda se vejam alguns viajantes, o comércio de tecido, em Vila Real, está reduzido a um estabelecimento comercial e à feira dos farrapos”, explicou José Guedes.

Tanto quanto o Nosso Jornal conseguiu apurar, em meados da década de 60, existiam, ainda, em actividade, em Portugal, cerca de 6.500 alfaiatarias, na década de 80 os cálculos mais optimistas apontavam para a existência, em todo o país, de, apenas, 800.

Segundo o Observatório do Comércio, um documento dinamizado pela autarquia que fez um balanço sobre o tecido comercial no centro histórico de Vila Real, a zona da cidade que antes servia de morada a muitas alfaiatarias hoje conta, apenas, com um profissional.

Sem se lamentar da crise e defendendo que o “futuro a Deus pertence”, José Guedes atende, diariamente, os seus clientes, sempre com “um dedo de conversa”, um sorriso ou, até mesmo, uma gargalhada.

“Estou a fazer o que gosto. Por isso, sinto-me realizado”, concluiu o “Zé Bainhas”.

 

Maria Meireles

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