O telhado está a cair em cima da própria cama. A casa está praticamente em ruínas, uma situação que toda a gente conhece, mas que ninguém parece interessado em ajudar, como nos conta Manuel Esteves, vizinho do antigo alfaiate. “O telhado da casa onde habita caiu há dois anos. As próprias instituições de apoio social têm conhecimento, mas não fazem nada”, relatou.
Sem desprezar nunca o seu fato, o septuagenário exibe a casa onde vive “com mágoa e desgosto”. “Não tenho água, nem luz, porque a instalação ficou afectada por uma derrocada” disse Aníbal Rosa. “Refugio-me numa loja que não tem janelas, é aí que faço uma fogueirinha para me aquecer”, contou.
Numa parte da casa, o telhado ruiu e agora a zona que serve de quarto está na eminência de ruir também. “Quando chove estar dentro de casa ou cá fora é exactamente a mesma coisa. As paredes também não aguentam muito mais. Uma tragédia pode acontecer a qualquer altura”, refere Homero Soares, proprietário de um café e que vive preocupado com a situação. “Às vezes diz coisas sem nexo, há pessoas que se metem com ele e até já lhe bateram”.
Este comerciante recordou a vida do velho alfaiate. “Ele tomou conta do pai até ele morrer e foi sempre um homem trabalhador, mas de há 4 anos para cá, não está lúcido e a sua cabeça não funciona bem. Quando está doente, as freiras da Casa do Menino de Jesus de Pereiro levam-no ao médico, dão-lhe alimentação e cuidam dele”.
Este caso está a ser estudado pela autarquia de Mirandela, mas até agora ainda não houve qualquer solução.



