Sexta-feira, 25 de Junho de 2021
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Antiga fábrica de cal na Campeã dá lugar a parque em que a natureza se cruza com a arte 

Um empresário está a transformar o espaço de uma antiga fábrica de cal na Campeã, em Vila Real, num parque que cruza a cultura e a natureza e onde espalhou esculturas de vários artistas nacionais e poemas.

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Desativada há 60 anos, a Empresa da Cal transformava o calcário proveniente de uma pedreira localizada na freguesia de Campanhó, em Mondim de Basto. Ali a pedra era cozida, moída e transformada em cal que era vendida para o Douro e Trás-os-Montes.

Em Aveção do Cabo (Campeã), entre as serras do Marão e Alvão e junto à Estrada Nacional 304, permanecem as ruínas da fábrica e o forno da cal da empresa que também pertenceu ao avô do empresário.

O projeto de Fernando Pereira começa precisamente nestas ruínas e estende-se por dois hectares que transformou num parque que assenta em quatro pilares: amor, poesia, arte e natureza. A rodear o espaço estão oito hectares de floresta.

O investimento do empresário, proprietário de da empresa de engenharia natural “Viver – Jardins Urbanos”, com 40 funcionários, ronda o meio milhão de euros na Campeã, entre o parque, nas obras de obra, nas plantas e áreas florestais adquiridas.

“Estou a transformar este espaço na relação entre o amor, a poesia, a arte e a natureza, onde serão retratados vários jardins alusivos às minhas histórias de amor, pelo meu pai, pela minha mãe, minha filha, meu avó, a Campeã e histórias de amor pessoais”, contou Fernando Pereira à agência Lusa.

Nesta primeira fase, o parque cria quatro postos de trabalho e abre com várias obras de arte de diferentes artistas portugueses, poesia escrita por Fernando Pereira e gravada em lousas, com dois bares, dois lagos e uma piscina biológica, um anfiteatro feito com troncos de eucalipto e será possível fazer piqueniques pela floresta.

Num tronco de árvore, o artista que trabalha com uma motosserra, Óscar Rodrigues, esculpiu uma mão que segura uma mulher e criou também uma imagem de Jesus Cristo que foi instalada na zona mais alta do espaço, António Miguel fez a borboleta bailarina e Paulo Duarte fez o jogo da macaca e, a dar as boas vindas ao parque está a escultura de um lobo, feita por João Sá.

Há também um baloiço e, para agosto, está a ser preparada uma exposição do pintor Nuno Castelo, que será instalada na parede das ruínas da fábrica.

“A motivação principal e inicial do parque surgiu da simbiose entre o sofrimento e o amor que tinha pelo meu pai. O meu pai era poeta. A forma como eu vivi o luto pelo meu pai foi sempre uma coisa muito bonita, intensa, profunda e mexeu sempre comigo”, referiu.

Pelo parque há referências ao pai Albano, ao avó Evaristo, à mãe Maria Fernanda e à filha Gabriela. O espaço está dividido, para já, nos jardins “Primavera”, “Gabriela”, “Leoparda”, “Sou Feliz Porque te Amo”, “Vermelho e Branco”, “Evaristo” e “Meu Pai”.

O parque estará sempre em construção, com mais obras, e, depois, para uma segunda fase, o empresário está a ultimar o projeto com vista à recuperação das ruínas da fábrica para a construção de um hotel.

Numa terceira fase, pretende instalar bungalows alusivo ao tema do forno da cal, enterrados na terra ou escondidos na natureza de forma a estarem integrados na natureza.

 

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