Terça-feira, 30 de Novembro de 2021

Apoio psicológico à distância de uma chamada

Através de um contacto telefónico, um grupo de psicólogos flavienses está a prestar apoio psicológico, voluntariamente à comunidade em geral no sentido de orientar e encontrar estratégias para ultrapassar os problemas resultantes da situação de pandemia.

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São psicólogos com cédula profissional e membros da Ordem e estão, diariamente, do outro lado de uma linha de apoio psicossocial que criaram, para dar resposta aos problemas e necessidades da população que, neste momento, vive uma situação nunca antes vivida. 

Seguindo as diretrizes da Ordem dos Psicólogos Portugueses e sem prejuízo do paciente e do profissional de psicologia, a linha não serve para dar consultas, mas apenas aconselhamento psicológico e baseia-se no princípio básico de ação no que respeita ao apoio à distância dos três E´s: Empatia, Escuta Ativa e Estabelecimento de Proximidade. “Nós não damos consultas. Nós fazemos acompanhamento psicológico, recebemos um problema ou uma necessidade, escutamos, mas não fazemos psicoterapia, nem avaliações psicológicas a longo prazo”, explicou Joana Carvalho, psicóloga clínica e educacional que, com Marinette Alves, formou o grupo de apoio pela “paixão profissional” e por considerar que “não podíamos estar paradas”. 

Cada um dos seis voluntários tem o seu número de telemóvel, estabelecidos exclusivamente para a criação da linha de apoio, com a ajuda da comunidade que ofereceu o material tecnológico para o efeito. 

As chamadas têm a duração de 30 minutos, onde o psicólogo tem um papel, principalmente, regulador. “Damos essencialmente estratégias de adaptação a problemas. Podemos ensinar uma pessoa a fazer uma respiração diafragmática em situações de ansiedade. Podemos dar estratégias psicoeducativas no caso de descontrolo a nível parental em que os pais sintam ou vejam alterações comportamentais perante o isolamento”, referiu a psicóloga que, apesar de ter consciência de que a linha é limitada em termos de resposta, é eficaz para que as pessoas consigam perceber as suas necessidades e problemas. 

MEDO, ANSIEDADE E OBSESSÃO

As mulheres são quem mais procura a linha de apoio, sendo que o medo, a ansiedade, associada ao pânico e as perturbações obsessivas compulsivas as principais problemáticas com que os voluntários se deparam. “Quem nos procura tem uma sintomatologia resultante da pandemia da covid-19. As problemáticas gerais são associadas às consequências do isolamento, como o medo, a ansiedade, o pânico e muitas das pessoas que nos ligam já tem um historial clínico relacionado com perturbações psicológicas”. 

Joana Carvalho refere que os problemas que surgem ou que se agudizam com o confinamento deve-se, em parte, à alteração de rotinas e aí, diz, que “temos feito um ajustamento adaptativo, a adaptação é sobrevivência”. “Nós não temos que alterar rotinas, as que foram alteradas foram as sociais, porque as de vida temos que continuar a mantê-las”.  

A linha Apoio Psicossocial Chaves Covid 19 está em permanente contacto com a Câmara Municipal de Chaves para quem encaminha casos que não sejam da responsabilidade dos psicólogos voluntários. “Qualquer problemática que não seja da nossa área, nós encaminhamos. Estamos em ligação com a vereadora da ação social da câmara e tudo o que esteja relacionado com perturbações alimentares, falta de bens, violência doméstica ou psiquiatria encaminhamos para ela. Quando sabemos que não é da nossa competência encaminhamos e ajudamos as pessoas a obter respostas mais adequadas”.

Para mais informação envie as suas questões para:

psicologosunidos@outlook.pt

 

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