No Peso da Régua foi instalada a primeira unidade, sendo a escola EB, n.º 3, pioneira neste inovador sistema de aquecimento e aquela que possui a maior caldeira com uma potência de 249 KW que gasta diariamente 150 kg de peletes de biomassa florestal. Na escola de Torneiros foi colocada uma caldeira de 80 KW e o aquecimento das águas sanitárias é feito, agora, pela caldeira. Desta forma, acabaram os cilindros eléctricos (mais onerosos em termos de consumo), onde a própria rede de calor actua à custa de um termoacumulador.
O equipamento de Aquecimento Central com alimentação a peletes de biomassa florestal é assim uma nova tecnologia que funciona como um sistema automático de um aquecimento central a gás ou a gasóleo. Este sistema tem um silo alimentador da caldeira que recebe o combustível (as peletes) e depois, através de um programador interno, permite escolher as temperaturas que se pretendem atingir nos compartimentos. É a própria caldeira que vai gerindo automaticamente essa alimentação. Este método acaba por ser um sistema de ar condicionado ecologicamente amigo do ambiente e que, ao longo dos tempos, vai revelar-se, em termos de custos, uma boa opção.
O Nosso Jornal esteve na Escola EB, n.º 3, de Peso da Régua e constatou que os cerca de 270 alunos não têm passado frio neste Inverno que tem sido muito rigoroso. O sistema de aquecimento implantado no imóvel de dois pisos abrange 13 salas, o ginásio, os balneários, as casas de banho, a cozinha e o refeitório.
O professor Alberto Milão, elemento do Agrupamento de Escolas, só vê vantagens neste sistema. “É amigo do ambiente, cómodo, limpo, seguro, confortável e possui alto poder calorífico, além de dispensar praticamente o seu manuseamento. Tudo está a funcionar desde o início do ano lectivo 2007/2008, e estamos satisfeitos com este método inovador”. Segundo este responsável, este sistema emite poucos resíduos e possui, ao mesmo tempo, um sistema automático de desintegração das cinzas resultantes da combustão”. Por outro lado, tem uma outra vocação. “Desde logo, permite incutir, nos mais pequenos, uma consciencialização ambiental na preservação da natureza e na opção por materiais considerados amigos do ambiente”, sublinhou Alberto Milão.
A vereadora da Câmara de Vila Real, Dolores Monteiro, reconheceu também “que o novo sistema é mais eficaz e possui uma forte componente pedagógica de educação ambiental da comunidade escolar”. Esta responsável garantiu que o aquecimento nas escolas, que estão sob a alçada do município vila-realense, não tem problemas de aquecimento. “Este ano, o frio veio mais cedo. A empresa encarregue dos equipamentos já fez a inspecção a todas as salamandras e aos sistemas de aquecimento das escolas básicas do concelho, e está tudo a funcionar de forma estável. Além disso, eu própria percorri as escolas e estive a verificar toda a situação”. Dolores Monteiro referiu que as escolas básicas do concelho têm dois tipos de aquecimento e, recentemente, foi feita uma candidatura inovadora para as escolas de Nogueira e de Torneiros, onde já está a ser implementado o sistema pioneiro. “São duas escolas do meio rural, onde o gás natural ainda não chega e tivemos que solucionar o problema com outro tipo de energias, amigas do ambiente. Em Nogueira aproveitamos um equipamento que havia num outro local de ensino e fizemos a adaptação”, acrescentou.
Quanto à escola de Torneiros o sistema gasta, por dia, dois sacos de 15 kg de peletes, o que revela que é mais económico do que utilizar gás propano.
Ligada a estes projectos está a Agência Regional de Energia do Vale do Douro Norte, que, nos últimos anos, tem apoiado no estudo e na implementação dos melhores sistemas de aquecimento das escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico e dos Jardins-de-infância. Desde 1999 que se têm aproveitado os Fundos Comunitários do QCA II – Programa Energia e QCA III – Prime para aplicar projectos de energias renováveis que visem o aquecimento de espaços escolares.
No Vale do Douro Norte foram remodelados sete concelhos com os sistemas que utilizam a biomassa florestal, nas suas diversas formas de utilização, como as peletes ou briquetes, os compactos de madeira que possuem um poder calorífero superior à lenha tradicional.
Na aplicação destas tecnologias no Vale do Douro Norte o orçamento rondou 1 milhão e 500 mil euros e teve várias fases de execução. Em 1996 começaram a ser preparadas as candidaturas; em 1999 já havia algumas elaboradas; em 2000 começa a execução de alguns projectos, mas só em 2007 todo o processo foi concluído. Para trás, ficaram algumas escolas que sofreram remodelações de acordo com a restruturação da Carta Educativa concelhia. O projecto-piloto da autarquia vila-realense deu prioridade às escolas de Torneiros e Nogueira, uma vez que estas sofreram obras de ampliação e os sistemas que lá existiam tiveram de ser substituídos dada a inadaptabilidade dos equipamentos. A Câmara de Vila Real suportou a totalidade dos investimentos.
Saliente-se, ainda, que o preço por kWh, com IVA incluído, é de 3 cêntimos utilizando as peletes .
Os sistemas automatizados foram adquiridos pelas Câmaras de Peso da Régua (65000 euros) e de Vila Real (36000 euros) e ambos tiveram o apoio da Agência Regional de Energia do Norte.



