Segunda-feira, 15 de Agosto de 2022

Aquisição de novo equipamento para o Centro Oncológico está “bem encaminhada”

Orçado em cerca de três milhões, a necessidade de um segundo equipamento para a realização de tratamento de radioterapia já é falada desde 2013. Alargamento da área de atuação do Centro Oncológico para todo a área de Trás-os-Montes deverá justificar o investimento.

-PUB-

“Vamos tratar em radioterapia todos os doentes do interior, e temos capacidade de resposta para isso, precisamos é de um novo equipamento”, defendeu Carlos Cadavez, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD).

A necessidade foi transmitida ao secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, que, no dia 13, presidiu a cerimónia de assinatura do protocolo de parceria na assistência a doentes do foro oncológico, celebrado entre o CHTMAD e a Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste.

O equipamento a ser adquirido é um “acelerador linear”, utilizado para os tratamentos de radioterapia. “O que temos já tem sete anos e uma vida útil de cerca dez anos. Mas queremos responder sempre a todos os doentes. Se avariar um temos sempre o outro”, defendeu Carlos Cadavez.

O novo acelerador linear, orçado em 2,5 milhões de euros mais cerca de 500 mil euros para instalação, vai permitir que os doentes oncológicos que necessitem de tratamento de radioterapia possam fazê-lo no Centro Oncológico, em Vila Real, evitando assim a deslocação para Bragança.

Outra necessidade manifestada por Carlos Cadavez aquando da assinatura do protocolo de parceria, prende-se com a necessidade de adquirir também um equipamento de braquiterapia, que, orçado em cerca de 400 mil euros, ainda não existe no centro transmontano e é necessário ao tratamento de vários doentes oncológicos da região.

“Costumo dizer que para cá do Marão devemos tratar todos os doentes que cá estão”, sublinhou o mesmo responsável enaltecendo as sinergias criadas entre o centro hospitalar e a ULS Nordeste ao nível da oncologia. “Era ótimo que fizéssemos isso noutras especialidades, mas temos que começar por algum lado, e na oncologia vamos resolver com a vontade de todos os médicos que trabalham nesta área”, reforçou.

De recordar que a parceria acontece depois do ULS ter perdido a única médica de que dispunha no serviço, localizado na unidade de Macedo de cavaleiros.

Carlos Cadavez garante que não é necessário o reforço de profissionais, confirmando que os quatro médicos existentes no Centro Oncológico dão “perfeitamente capacidade de resposta”. Ainda assim, o mesmo responsável avançou que em breve será contratado mais um especialista, que “está interessado em trabalhar no Centro Oncológico e em Macedo de Cavaleiros”.

 

Parceria vai permitir partilha de médicos

 

António Marçôa, presidente do Conselho de Administração da ULS Nordeste, explicou que a parceria estabelecida vai permitir que os doentes do foro oncológico do distrito de Bragança sejam todos seguidos pelo Centro Oncológico.

“Aquilo que anteriormente se verificava é que tínhamos apenas uma profissional, que fazia um trabalho meritório, mas que estava constantemente com necessidade de articulação com outros serviços, seja com o Centro Oncológico, seja com o próprio IPO do Porto”, recordou.

O protocolo prevê, entre outras premissas, que os doentes que precisam de radioterapia deixem de se ser transferidos para o Porto e passem a receber os tratamentos em Vila Real, o que representa um maior conforto devido a maior proximidade com as suas residências, mas também uma poupança ao nível dos custos de deslocação.

Entre outros aspetos que serão pensados e estruturados em conjunto, também a contratação de pessoal será coordenada pelas duas unidades e “terá em conta também as necessidades dois distritos, ou seja de todo Trás-os-Montes”.

“Eu estive na origem do Centro Oncológico e ele foi concebido para servir toda a população de Trás-os-Montes e Alto Douro”, defendeu o mesmo responsável.

Também o secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, enalteceu a iniciativa, classificando a parceria como um exemplo a seguir “onde houver capacidade de criar sinergias”.

“O protocolo não encerra um ciclo, antes pelo contrário, inicia um processo de colaboração entre estas unidades que não vai de forma nenhuma contrariar a necessidade de dotarmos esta região dos profissionais e equipamentos necessários à medida que a situação oncológica for evoluindo”, garantiu Fernando Leal da Costa.

O governante adiantou desde logo o alargamento da unidade de cuidados paliativos de Macedo de Cavaleiros, que vai duplicar o número de camas disponível (servindo também doentes do distrito de Vila Real), e “aumento da capacidade de resposta em Vila Real, fazendo a renovação desejada dos aparelhos”.

 

“Os macedenses podem estar descansados”, o hospital não encerrará

Em resposta a uma preocupação manifestada pelo presidente da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, Duarte Moreno, o secretário de Estado Adjunto deixou a garantia absoluta de que o Hospital local não vai encerrar.

“Eu acho que a minha presença aqui, neste momento, deve ser entendida como a prova provada de que não há nenhuma intenção de encerrar este hospital. Não vim de maneira nenhuma proceder às exéquias do hospital”, frisou Fernando Leal da Costa.

O governante dirigiu-se ainda aos cidadãos, dizendo que “sobre essa matéria os macedenses podem estar descansados”. “Não há encerramentos previstos, antes pelo contrário, entendemos que a especialização de serviços traz melhores condições para que o Hospital tenha um lugar mais marcado, mais importante e até mais irrevogável, dentro da estrutura da ULS”.

Duarte Moreno desafio o Governo a dizer “o que pretende com o esvaziamento de serviços” daquela unidade hospitalar, referindo mesmo que o concelho está cansado desta “luta desigual”.

-PUB-

APOIE O NOSSO TRABALHO. APOIE O JORNALISMO DE PROXIMIDADE.

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo regional e de proximidade. O acesso à maioria das notícias da VTM (ainda) é livre, mas não é gratuito, o jornalismo custa dinheiro e exige investimento. Esta contribuição é uma forma de apoiar de forma direta A Voz de Trás-os-Montes e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente e de proximidade, mas não só. É continuar a informar apesar de todas as contingências do confinamento, sem termos parado um único dia.

Contribua com um donativo!

COMENTAR FACEBOOK

Mais lidas

A Imprensa livre é um dos pilares da democracia

Nota da Administração do Jornal A Voz de Trás-os-Montes

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Subscreva a newsletter

Para estar atualizado(a) com as notícias mais relevantes da região.