Terça-feira, 19 de Outubro de 2021

Autarca defende que a luta terá “resultado zero”

Garantindo desde logo que não deverá participar em qualquer manifestação contra as portagens, o presidente da Câmara Municipal de Vila Real classificou mesmo como “uma palhaçada” o convite público feito a todos os autarcas do distrito pelo Partido Socialista para que esquecessem as cores partidárias e se unissem na luta. Manuel Martins acredita que já não há volta a dar e adianta a localização dos pórticos

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Manuel Martins, presidente da Câmara Municipal de Vila Real, voltou da reunião com o secretário de Estado Adjunto, das Obras Públicas e das Comunicações, Paulo Campos, com a certeza de que “ficou terminada a conversa” sobre a introdução de portagens na Auto-estrada 24.

Acompanhado pelos autarcas do Peso da Régua, Lamego e Vila Pouca de Aguiar, Manuel Martins reuniu com o governante na esperança de poder negociar a localização dos pórticos a instalar na A24 e o regime de isenções a aplicar, isso porque não estava já confiante de que fosse possível colocar a questão da não introdução de portagens.

“Recebemos a informação da mão do secretário de Estado sobre a posição dos pórticos. Perguntamos se havia discussão. Não tem. Então ficou terminada a conversa”, explicou o edil sobre o encontro.

O presidente da Câmara Municipal de capital de distrito adiantou que “vai haver no nosso concelho pelo menos dois pórticos, distanciados entre dez a doze quilómetros”. Apresar de não afirmar com certeza a sua localização exacta, Manuel Martins revelou que um deverá ser instalado “logo a seguir à Portela, quem vem da Régua, e o outro deve ser logo a seguir, ou antes, do nó da A4”.

“Já está assumido por eles que é assim. Eu não vou mais discutir o assunto sequer”, sublinhou o autarca, confirmando assim que não pretende participar em qualquer manifestação contra as portagens.

Mais, referindo-se ao convite público feito pela Federação Distrital do Partido Socialista para que os autarcas do distrito, em especial o de Vila Real, se juntassem aos protestos, o autarca considera a situação “caricata”, tendo em conta que “foram eles (socialistas) que as puseram (as portagens) no papel, que determinaram que era assim”. “Com eles não vou a lado nenhum, como é óbvio. Comigo não contam para este tipo de palhaçadas, não entro nisso”, frisou.

Relativamente à marcha lenta marcada para o próximo dia oito, o mesmo responsável político dúvida que a “luta tenha algum resultado efectivo”. “Acho que o resultado será zero. Será como estar a falar contra uma parede”, antevê Manuel Martins.

Apesar de tudo, o autarca continua a defender que o Governo deveria ter tido “em linha de conta a situação da interioridade da região” e o facto da sua população ter “um rendimento per capita que não chega a 60 por cento da média nacional”. “Aqui deveria haver um pagamento simbólico”, concluiu, sobre a medida que acredita ter sido tomada “em cima do joelho”.

Até à hora de fecho desta edição não foi possível ao Nosso Jornal confirmar os locais exactos onde serão instaladas as estruturas de cobrança de portagens, no entanto, tanto quando conseguimos apurar, em toda a sua extensão, A24 terá 13 pórticos.

Entretanto, se sublinhar que a Comissão de Utentes Contra as Portagens nas auto-estradas A23, A24 e A25 entregaram, no dia 22, na Assembleia da República, 35.702 assinaturas, 565 das quais de entidades colectivas, como empresas, autarquias e associações.

No documento, a Comissão pede aos deputados, principalmente aos eleitos pelos distritos abrangidos, entre os quais Vila Real, que recomendem ao Governo que desista da introdução de portagens nas SCUT.

Para o dia 8 de Abril, exactamente uma semana antes do arranque da cobrança, está prevista a realização de diversas acções de protesto, entre as quais uma marcha lenta que também deverá ter visibilidade no distrito vila-realense.

 

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