Segunda-feira, 4 de Julho de 2022

Autarquia teme que comparticipações tenham que ser reduzidas

Pela primeira vez, em 30 anos, a autarquia de Vila Real viu o seu orçamento reduzido, recebendo “menos 200 mil euros do Governo português”. Nem por isso diminuiu o apoio dado às associações desportivas e culturais do concelho, pelo contrário, ainda apoiou mais colectividades do que no ano transacto. No entanto, Manuel Martins adverte que, […]

Pela primeira vez, em 30 anos, a autarquia de Vila Real viu o seu orçamento reduzido, recebendo “menos 200 mil euros do Governo português”. Nem por isso diminuiu o apoio dado às associações desportivas e culturais do concelho, pelo contrário, ainda apoiou mais colectividades do que no ano transacto. No entanto, Manuel Martins adverte que, se o desinvestimento do Estado continuar, este tipo de comparticipações financeiras poderá vir a ser reduzido.

138 associações culturais e desportivas do concelho de Vila Real receberam, no dia 26, as comparticipações financeiras da autarquia, relativas ao ano de 2006, um investimento municipal na actividade associativa que rondou os 260 mil euros e que se tem mantido ao longo dos últimos anos, apesar da redução do orçamento atribuído à autarquia pelo Governo.

“Com o caminho que se está a tomar, poderemos, no próximo ano, ter que reduzir os valores a atribuir”, lamentou Manuel Martins, Presidente da Câmara Municipal, durante a cerimónia de entrega dos cheques das comparticipações financeiras às associações desportivas (76) e culturais (62) do concelho.

Segundo o autarca, o futuro incerto dos subsídios de apoio às actividades das colectividades deve-se à redução do orçamento atribuído pelo Governo à Câmara Municipal.

“Em 2005 e 2006, recebemos exactamente o mesmo e conseguimos manter os subsídios, mas, este ano, pela primeira vez, em 30 anos, vimos o orçamento ser reduzido, em 200 mil euros”, contabilizou o autarca.

Manuel Martins adiantou, ainda, que, para além das comparticipações atribuídas na última quarta-feira (144.500 euros para associações desportivas e 115.000 euros para associações culturais), a autarquia investe mais cerca de 80.750 euros em colectividades com as quais tem protocolos estabelecidos, apoiando, ainda, investimentos especiais, para a construção de novas infra-estruturas.

O Clube de Natação de Vila Real foi uma das associações desportivas contempladas pelo subsídio autárquico, como confirmou Jorge Campaniço, da Direcção do Clube, contabilizando que os 2.500 euros disponibilizados pelo município representam cerca de 10 por cento do orçamento da associação que, actualmente, representa 50 atletas.

“Neste momento, estamos a desenvolver um projecto, em parceria com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, com o objectivo de investir mais na competição internacional”, revelou o dirigente associativo, adiantando que uma das necessidades do clube de natação se prende com as infra-estruturas, nomeadamente com a criação de uma piscina adequada, para a realização de provas oficiais.

O Grupo Coral de Sanguinhedo foi outra das colectividades que mereceu o investimento da autarquia, arrecadando 1.050 euros que, segundo Manuela Santos, da Direcção do grupo, suportará as despesas correntes, como deslocações, trajes e contratação do maestro.

Prestes a completar 25 anos de existência, o Grupo Coral de Sanguinhedo possui, actualmente, 30 membros e faz, anualmente, uma média de dez actuações.

“Acredito que este tipo de subsídios, por pouco que seja, é muito importante, para apoiar a cultura tradicional”, revelou a mesma responsável, ressalvando, no entanto, que, mesmo que o apoio autárquico venha a ser reduzido, não põe em causa a continuidade do grupo que “sempre funcionou, graças à carolice da população” daquela localidade de Vila Real.

José Ribeiro, da Direcção do Centro Cultural Lordelense, confirma que “o apoio financeiro é sempre bem-vindo”, sobretudo no quotidiano das associações que têm uma forte actividade, como é o caso da associação lordelense que, para além de reunir mais de uma centena de associados, entre uma vasta programação, se tem empenhado, nos últimos anos, no desenvolvimento do teatro amador, estreando uma produção por ano e fazendo uma média de 25 apresentações, no distrito (e não só).

 

Maria Meireles

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