InícioMesão FrioBE diz que hotel em Mesão Frio contribui para “perda de identidade” do Douro

BE diz que hotel em Mesão Frio contribui para “perda de identidade” do Douro

“A atual pretensão de construção de um hotel na Rede, concelho de Mesão Frio, de elevada volumetria, representará, se for autorizada, o início da construção em altura ao longo do Douro, contribuindo para a sua descaracterização e perda da sua identidade em termos de património natural e humano”, refere, em comunicado, a Comissão Coordenadora Distrital do Bloco de Esquerda (BE) de Vila Real.

Os bloquistas realçaram ainda que a autarquia de Mesão Frio, no distrito de Vila Real, tem pressionado “para a instalação deste edifício com o argumento da criação de emprego” e consideraram grave que esta tenha “dado como certo o licenciamento, criando as naturais expetativas sobre empregabilidade nas populações locais”.

Em causa está a construção de um hotel de cinco estrelas pela Douro Marina Hotel, sociedade do empresário Mário Ferreira, cujo terceiro Estudo de Impacte Ambiental (EIA) está em consulta pública.

Segundo avançou o jornal Público no domingo, a Comissão Nacional da Unesco (CNU) considera que vai colocar em risco a paisagem do Douro vinhateiro na lista dos bens classificados em perigo, "abrindo caminho para uma futura exclusão da lista de património mundial".

A Douro Marina Hotel disse na quarta-feira que é “falsa e leviana” a acusação de que a unidade hoteleira coloque em causa o estatuto do Douro como património mundial.

“Em momento algum o parecer técnico consultivo elaborado pelo ICOMOS [Conselho Internacional de Monumentos e Sítios], a pedido da UNESCO, menciona, ameaça, ou aponta como uma consequência direta, ou indireta, da concretização do projeto Douro Marina Hotel, a perda de estatuto de Património da Humanidade à região do Alto Douro Vinhateiro”, referiu a empresa, em comunicado.

O BE alertou também que “desde a criação da figura de proteção da UNESCO, os atentados sobre o Alto Douro Vinhateiro (ADV) Património Mundial continuam”.

“Mesmo existindo o Plano Integrado do Alto Douro Vinhateiro (PIOT-ADV), que deveria salvaguardar este bem, ao agrupar todos os municípios deste território e a sua envolvência, os interesses instalados continuam a sobrepor-se aos instrumentos de ordenamento territorial”, sublinhou.

Como ações que põe em causa o Douro os bloquistas apontam que os grandes proprietários têm dado pouca atenção “a terraços e patamares, fazendo uma substituição por vinhas ao alto que favorecem os processos erosivos e destroem a paisagem rural”.

O BE indica ainda a erosão das margens do Douro, “provocado pelo aumento do tráfego fluvial devido a embarcações de grande calado que não respeitam as velocidades máximas”.

O BE garantiu que tem estado “muito atento” ao que tem acontecido na região do Alto Douro e Terras e de Trás-os-Montes e “aos atentados sucessivos sobre esta região”, enumerando ainda a construção da Barragem de Foz-Tua, com um paredão com cerca de 120 metros de altura, a "escassa distância do Douro" ou a intenção da Câmara de Vila Real em “retirar o município da zona especial de proteção do ADV de modo a facilitar a construção sem constrangimentos”.

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