Em comunicado, o BE disse que questionou o ministro Ambiente e da Ação Climática na Assembleia da República, querendo saber se foram realizadas necropsias aos cadáveres dos animais encontrados Montalegre e Bragança e quais as conclusões.
O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) informou na quarta-feira a descoberta de dois cadáveres de lobo-ibérico em Xertelo, concelho de Montalegre, e Rio de Onor, Bragança.
Ambas as situações estão a ser investigadas pelas equipas do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR e de vigilantes da natureza.
O lobo-ibérico é uma espécie protegida e possui em Portugal, desde 1990, o estatuto de ameaça de “em perigo”.
No caso de Montalegre, perto do lobo foi também encontrado o cadáver de um cavalo.
Relativamente a esta situação, o ICNF especificou que os “vigilantes da natureza encontraram várias armadilhas de laços, utilizadas na caça ilegal, e que a GNR se encontra a recolher os indícios desta prática ilegal não havendo, até ao momento, evidências suficientes que permitam concluir da existência de mais um animal morto”, como chegou a ser noticiado em alguns órgãos de comunicação social.
Em nome do BE, Nelson Peralta, Maria Manuel Rola e José Maria Cardoso querem saber se os laços encontrados em Montalegre foram alvo de análise, qual o resultado dessa análise e se foi possível identificar o autor ou autores da instalação das armadilhas e dos abates.
Os deputados bloquistas questionaram ainda quantos lobos-ibéricos foram encontrados mortos pelas autoridades nos últimos cinco anos, quais as causas de morte apuradas e em que concelhos foram encontrados os animais abatidos.
O BE perguntou ao Governo se vai tomar “medidas para dissuadir a caça furtiva e evitar que sejam instaladas armadilhas no Parque Nacional da Peneda-Gerês, Parque Natural do Montesinho e demais áreas sensíveis do território nacional” e, em caso afirmativo, quais as medidas adotadas.
Por fim, o Bloco quer saber quantos vigilantes da natureza estão destacados para os parques do Gerês e Montesinho e se o Governo considera ser um número “suficiente para vigiar toda a extensão daquelas áreas protegidas”.
O lobo-ibérico é uma subespécie endémica da Península Ibérica que apresenta estatuto de conservação desfavorável.
No Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal a subespécie é classificada de “em perigo” de extinção.
O lobo estará atualmente circunscrito a apenas 20% da sua área original, encontrando-se presente sobretudo a norte do rio Douro. As últimas estimativas populacionais apontavam para a existência de apenas 220 a 430 animais em território nacional.



