O Núcleo Distrital de Vila Real do Bloco Esquerda garantiu, no dia 11, que, caso não sejam prestados esclarecimentos sobre o “processo do Hotel do Parque”, pela Câmara Municipal, será ponderada a apresentação de uma queixa à Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos.
Segundo Adriana Sousa, dirigente do BE de Vila Real, o partido fez um pedido à autarquia para consultar o processo do Hotel do Parque, “o que foi negado”. “Estamos a espera da resposta da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte (CCDR-N) a um pedido de audiência”, revelou a mesma responsável política adiantando que, caso a reunião não seja agendada em breve, o partido vai “dar uma segunda oportunidade a câmara”.
Se os pedidos de esclarecimento e de consulta do processo continuarem a ser negados, o BE admite apresentar uma queixa à Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos.
O Bloco “lamenta a falta de transparência de todo o processo”, revelou ainda Adriana Sousa, defendendo que “os vila-realenses querem saber o que realmente se passa”.
“O Presidente da Câmara Municipal acusou-nos de não saber da ‘missa metade’, quando o que foi pedido na Assembleia da República foi, exactamente, esclarecimentos”, recorda a dirigente partidária.
Um dos receios do partido é que as decisões que estão a ser tomadas não sejam do interesse da população em geral, mas venham a beneficiar apenas alguns, realçando que “o Plano de Pormenor do Bairro dos Ferreiros” só deverá ser alterado se a proposta trouxer de facto mais-valias para a população.
O Bloco de Esquerda aproveitou ainda conferência de imprensa para criticar um outro projecto da autarquia referente ao Parque Corgo, nomeadamente a construção do Centro de Ciência Viva, um “novo mamarracho”, que será envolvido por um viaduto que passará a 40 metros do rio.
“Assim que se faz uma coisa boa (Parque Corgo), estraga-se com um projecto absurdo”, lamentou Carlos Gomes, também dirigente da distrital do Bloco de Esquerda, recordando que a Quercus, apresentou mesmo um contributo no âmbito da consulta pública do Plano de Pormenor do Parque Corgo e um abaixo-assinado, pedindo que a autarquia abandonasse todos os projectos previstos para aquele espaço.
Confrontado pelo Nosso Jornal, Manuel Martins, garante que não deu entrada qualquer pedido formal do BE nos serviços da autarquia, e referiu que o projecto, que será apresentado pela empresa ‘Existente’, em altura oportuna, não pode ser consultado tendo em conta que a CCDR-R ainda não emitiu o seu parecer relativamente à revisão do Plano.
“A empresa, o hospital privado e o município mantêm o interesse no projecto”, referiu o autarca, revelando que “ainda existem algumas falhas” que estão a tentar resolver.
Quanto a uma das preocupações dos ambientalistas, a construção do acesso para o parque de estacionamento subterrâneo, que se temia que viesse a interferir com o Parque Florestal, o autarca garantiu que foi encontrada uma solução que vai “surpreender”.
Relativamente a questão do Parque Corgo, Manuel Martins garantiu ainda que a autarquia está sensível à questão levantada e vai afastar a obra o mais possível do rio.




