Sábado, 27 de Novembro de 2021

Câmara exige clarificação sobre eletrificação da Linha do Douro

O presidente da Câmara de Peso da Régua exigiu hoje ao Governo “uma clarificação” sobre o adiamento do projeto de eletrificação da Linha Ferroviária do Douro até esta cidade.

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José Manuel Gonçalves disse à agência Lusa que, através da Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM Douro), foi hoje pedida uma audiência “com caráter de urgência” ao ministro das Infraestruturas, Pedro Nunos Santos, sobre a eletrificação da Linha do Douro entre Marco de Canaveses e o Peso da Régua.

O autarca quer que o Governo esclareça as motivações da “decisão da Infraestruturas de Portugal (IP) de deixar cair, sem nova data, a eletrificação da Linha do Douro até Peso da Régua”.

“Lamentamos de forma profunda o grave prejuízo que esta decisão irá acarretar (…). A inexistência de nova data leva-nos a concluir que a obra não avançará no âmbito do atual quadro comunitário e que o financiamento previsto será encaminhado para outras zonas do país, uma vez mais, em detrimento das necessidades urgentes do Interior de Portugal”, afirmou o autarca social-democrata.

O ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, admitiu hoje atrasos e constrangimentos em projetos de modernização dos caminhos-de-ferro, mas afastou a hipótese de qualquer cancelamento na execução do plano ferroviário 2020.

O ministro reagiu assim à manchete de hoje do Jornal de Notícias que dava conta do adiamento de 18 obras programadas no âmbito do programa Ferrovia 2020, apresentado em fevereiro de 2016, no valor de dois mil milhões de euros, e de um projeto cancelado de eletrificação do troço entre Viana do Castelo e Valença.

Também a Infraestruturas de Portugal, em comunicado entretanto divulgado, reafirmou não haver qualquer suspensão ou cancelamento, e que estão em desenvolvimento e serão concretizados "todos os investimentos previstos", a executar no âmbito do Ferrovia2020.

Sobre o projeto de modernização da Linha do Douro, entre Marco de Canaveses e Régua, a IP adiantou que "não existe qualquer cancelamento da empreitada" e explicou que foram "dificuldades técnicas evidenciadas pelo consórcio projetista" que "obrigaram à revogação" do contrato, estando atualmente em fase de contratação um novo consórcio projetista.

“A aventada contratação de novo projetista é outra surpresa no âmbito deste projeto, uma vez que existia a informação que o projeto seria elaborado pelo gabinete das Infraestruturas de Portugal”, referiu o autarca da Régua.

José Manuel Gonçalves classificou a obra na Linha do Douro como “fundamental” para a região e “determinante” para a concretização da reivindicação da eletrificação até ao Pocinho, bem como, depois, a ligação ferroviária a Espanha.

Para o presidente, “encravar” o projeto no Marco é “retardar todo o processo”.

“Lamentamos ainda que esta decisão não tenha sido oficialmente comunicada e que os autarcas apenas tenham servido como figurantes, aquando da apresentação do projeto de eletrificação do troço entre Marco de Canaveses e Peso da Régua”, referiu José Manuel Gonçalves.

Também os deputados do PSD eleitos por Vila Real, Luís Leite Ramos, Cláudia Bento e Artur Soveral de Andrade, vão pedir hoje uma reunião com caráter de urgência ao presidente da IP sobre o adiamento da eletrificação entre o Marco e a Régua.

Luís Leite Ramos disse à Lusa que é preciso “esclarecer o que se passou em concreto” na Linha do Douro, “a que se deve o adiamento e qual o compromisso que a IP tem para concretizar aquilo que foram as promessas do Governo do PS”.

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