Recentemente, voltou à baila a questão do traçado da A 24, entre Amarante e Vila Real. Algumas alterações propostas ao documento inicial, concedidas pelo Ministério das Obras Públicas/Estudo de Impacto Ambiental, foram, de uma maneira geral, acolhidas pelo executivo camarário de Vila Real. Há, porém, outras questões que merecem discordância, emergindo, mesmo, algumas exigências.
A uma só voz e pela boca de Manuel Martins, o autarca esclarece ainda mais a posição da edilidade, bem como deixa algumas críticas a algumas posições publicamente assumidas por outras instituições e associações.
“Há muita gente que, quando as questões se põem, para discussão pública, começam a falar nelas, e bem, porque é assim que as coisas devem ser. E, se calhar, acham que o Presidente da Câmara deve responder a toda a gente. Mas o Presidente não responde a quem não o convida. Eu acho que as respostas dessa matéria devem ser respostas institucionais. Não devem ser respostas minhas, devem ser do executivo a que presido”. Manuel Martins explica porque o Município deu luz verde ao novo documento. “Digamos que, globalmente, a Câmara está de acordo com a solução que foi proposta. E porquê? Porque, no Verão deste ano, fui a Lisboa, eu, um dos Srs. Vereadores do Partido Socialista e um técnico que nos acompanhou e que é o homem que está ligado a estas questões do planeamento. E fizemos ver uma série de questões e verificámos, neste novo documento, que algumas delas foram satisfeitas. Nomeadamente, o canal do troço da A4, entre Parada de Cunhos e a A24 que foi ripado, para sul, portanto procurando minimizar os efeitos negativos sobre as populações”. Porém, o executivo deixou uma recomendação e uma correcção, onde foi evidente a salvaguarda da construção e criação de alguns empreendimentos em curso. No que respeita à zona industrial, percebemos que o deslocamento foi muito pequeno, o que, de alguma forma, ainda interfere com ela. Então, a recomendação que nós deixámos é que devem procurar, em termos de projecto, fazê-lo de tal maneira que não perturbe nem prejudique o que há e o que está, neste momento, em construção, na zona industrial”.
Manuel Martins focou, outra vez, o problema das portagens: “Deixámos outra questão. Aliás, já escrevi para as Estradas de Portugal, para a actual empresa, para a Assembleia da República e para o Ministro das Obras Públicas e a todos expliquei que quando Vila Real reivindica que não haja portagem na zona industrial é, somente, em Parada de Cunhos. É para permitir que quem vem da Zona Industrial, para o outro lado da cidade, possa passar o rio Corgo sem pagar portagem”.
Por fim, o autarca deixou recados e acentuou as suas críticas quanto à corrente de opinião que defende o alargamento do IP4: “Nós achamos que alargar o IP4 é um disparate. Vamos meter uma auto-estrada dentro da cidade de Vila Real, com todas as prorrogativas que isso arrasta, como seja, especialmente, deitar abaixo metade da Almodena e meter mais ruído e mais poluição dentro da cidade. Não nos parece bem e, por isso, não defendemos essa posição”. E remata. Incisivo: “Unanimidade eu só conheci em Países de Leste, onde as eleições se ganhavam com 98% dos votos, onde se batiam palmas duas horas e quem parasse de bater palmas estava tramado. Aqui, não é assim. Em democracia, há de haver, sempre, os que pensam de uma maneira e os que pensam de outra maneira, mas isso é normal. É a vida” – disse.
Jmcardoso


