Segunda-feira, 4 de Julho de 2022

“Caos” no iDigital prejudica candidatos transmontanos

Apesar de o distrito de Vila Real ter sido um dos quatro primeiros a ver activados os “sites” onde são “exclusivamente realizadas as candidaturas” aos apoios comunitários e ser o segundo com um maior número de postos de recepção, a lentidão do sistema “on line” levou ao amontoamento dos agricultores, à porta das associações. Os […]

Apesar de o distrito de Vila Real ter sido um dos quatro primeiros a ver activados os “sites” onde são “exclusivamente realizadas as candidaturas” aos apoios comunitários e ser o segundo com um maior número de postos de recepção, a lentidão do sistema “on line” levou ao amontoamento dos agricultores, à porta das associações. Os agricultores pedem respostas e exigem o prolongamento dos prazos, até ao final de Julho.

Os milhares de agricultores do distrito de Vila Real continuam a corrida à apresentação das candidaturas aos apoios comunitários, uma corrida lenta, devido aos entraves informáticos da rede iDigital, e que, no dia 30, ficou marcada pela manifestação de desagrado de cerca de duas dezenas de agricultores, no Governo Civil vila-realense.

Já por quatro vezes, António Carvalho, criador de ovinos e caprinos, residente no concelho de Mondim de Basto, teve que deixar o seu trabalho, para se deslocar a um dos postos de recepção de candidaturas às ajudas comunitárias. Quatro viagens que acabaram por ser em vão, para o criador transmontano.

Mas a situação não é única: centenas de outros agricultores dirigem-se, diariamente, às associações que procedem à realização das candidaturas “on line”, sem conseguirem concluir o seu processo, devido ao mau funcionamento da Rede iDigital que, segundo Armando Carvalho, da Direcção da Federação das Associações Agro-florestais Transmontanas (Fragorural), “está, praticamente, bloqueado”.

Segundo o mesmo responsável a situação é “calamitosa”, tendo em conta que “há dias em que os técnicos só conseguem fazer três ou quatro candidaturas”, uma lentidão do sistema que irá impossibilitar o cumprimento dos prazos para a grande maioria dos agricultores, sendo de realçar que, no caso das ajudas aos criadores de ovinos e caprinos, o prazo terminou, já, no dia 30 de Abril, enquanto que, para os restantes apoios, o prazo se estende, apenas, até ao próximo dia 15.

“É nesta situação que os agricultores e, especialmente, aqueles que têm direito às ajudas de ovinos e caprinos, estão, hoje, quase desesperados, nos postos de recepção das candidaturas, perante a falta de resposta do sistema iDigital do Ministério da Agricultura”, sublinhou Armando Carvalho, exactamente no dia 30, altura em que cerca de duas dezenas de agricultores se dirigiram ao Governo Civil de Vila Real, para entregar a António Martinho um documento onde denunciam o “colapso funcional do sistema on-line”, pedindo a intervenção do Governador Civil, junto da Administração Central.

António Martinho reconheceu as preocupações dos agricultores, deixando a garantia de que, no mesmo dia, iria enviar uma nota ao Ministério da Agricultura, para o alertar para a situação.

“Este é um problema nacional que se sente mais, nesta região, por esta ter uma realidade agrícola muito própria”, defendeu o Governador Civil, lembrando que os agricultores transmontanos têm terrenos com várias parcelas, o que exige a introdução de mais dados no sistema, traduzindo–se num processo de candidatura mais demorado.

“O Governo tem que arranjar forma de alargar o prazo para a entrega das candidaturas. Tem que encontrar uma solução”, sublinhou o mesmo responsável político.

No documento entregue no Governo Civil de Vila Real, os agricultores explicam que consideram “vital que o Governo obtenha, junto da Comissão Europeia e do Conselho Agrícola, a indispensável prorrogação dos prazos de todas as candidaturas às ajudas PAC” (até ao dia 31 de Julho) e que sejam “urgentemente, formalizados os sistemas alternativos de emergência, para a recepção de candidaturas, sistemas estes com total garantia”.

Entretanto, a Fragorural defende que os agricultores que se dirijam aos postos de acesso possam preencher uma declaração, onde fique registada a intenção de se candidatar aos apoios comunitários, marcando, assim, o início do processo que terá que ser finalizado, mais tarde.

“Queremos salvaguardar o agricultor”, explicou Armando Carvalho.

No distrito, existem 39 postos de acesso, para dar resposta aos 22.730 agricultores vila–realenses, inscritos no sistema.

 

Maria Meireles

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