Entre 30 de agosto e hoje, os carteiros do centro de distribuição de Chaves, no distrito de Vila Real, cumpriram uma greve parcial, durante as primeiras duas horas de trabalho, que vai ser retomada em 21 de setembro, durante mais 15 dias, explicou à agência Lusa Samuel Vieira, dirigente do Sindicato Independente dos Correios, Telecomunicações, Transportes e Expresso de Portugal (SICTEX), uma das estruturas sindicais que promovem a greve.
O protesto dos trabalhadores dos CTT resulta da falta de trabalhadores que leva a “atrasos evidentes” na entrega de correspondência, mas também à sobrecarga dos que prestam o serviço.
“Tivemos uma reunião com a empresa ontem [quinta-feira], e esta admite que há falta de pessoal mas não faz nada para suprir esse problema. Já está efetuado um novo pré-aviso de greve, a partir de dia 21 de setembro, novamente para as primeiras duas horas da manhã, durante 15 dias”, sublinhou.
Samuel Vieira explicou ainda que, como resultado do plenário de trabalhadores realizado hoje, será feito um apelo às autarquias afetadas [Chaves e Boticas] para tomarem uma posição de força, junto da empresa e Governo.
O SICTEX já tinha revelado que há 10 trabalhadores efetivos nos CTT de Chaves, aos quais se somam quatro contratados e quatro em prestação de serviços, mas que dois dos trabalhadores efetivos não fazem distribuição por incapacidade física, o que resulta em cinco giros que não são realizados diariamente nos concelhos de Chaves e Boticas.
O dirigente sindical relembrou também que nos CTT de Chaves há uma funcionária com vários anos de casa que viu o contrato de trabalho terminar sem ser renovado e que há pedidos de transferência de trabalhadores para aquele posto.
Em 04 de setembro o SICTEX entregou em Chaves uma carta ao primeiro-ministro, António Costa, para demonstrar as preocupações dos trabalhadores pela “má gestão” da atual administração e para apelar à retoma pelo Estado do controlo da empresa.
Na carta entregue ao primeiro-ministro, a que a agência Lusa teve acesso, podia ler-se, como preocupações, “a falta de recursos humanos quer nas estações de correios e distribuição quer na área de transportes”, o “aumento de agenciamentos a terceiros quer na distribuição quer no atendimento” ou a “falta de condições de trabalho e aumento da precariedade nos vários sectores da empresa”.
O SICTEX apelava ainda “a uma rápida e estratégica intervenção do Governo, fazendo parte da gestão dos CTT, para que o futuro e o interesse público deste ativo nacional sejam devidamente acautelados”.
A agência Lusa procurou uma reação por parte dos CTT, mas até ao momento ainda não obteve resposta.





