É mais uma “acha para a fogueira” no contexto das relações entre a Casa do Douro e o Governo. Na segunda-feira, à porta do IVDP, os dirigentes da agremiação duriense manifestaram a sua “revolta” com a transferência de 8 milhões de euros para o Ministério das Finanças, medida que consideram como sendo “um roubo descarado à região do Douro”.
Em Novembro, depois dos representantes da Produção e do Comércio no Conselho Interprofissional do IVDP terem alertado o Governo para não se apropriar de fundos que legitimamente pertencem ao sector produtivo e comercial, agora esta medida veio a confirmar os receios da direcção da CD. Portanto, não admira a reacção enérgica e contestaria do presidente Manuel António dos Santos. “O Governo penaliza quem não deve. Aqui, no Douro, está de facto a dar mais um exemplo. O saldo de gerência do IVDP é propriedade exclusiva das profissões que depositam o seu dinheiro no IVDP, por isso, o Estado devia ter vergonha e não vir retirar aquilo que é construído à custa de muito sacrifício, à custa de dinheiros de viticultores, que vivem em circunstancias muito difíceis, e das taxas que os comerciantes também pagam”.
Este responsável explicou que a verba em causa, 8.091.043,00 euros, seria muito útil à promoção dos vinhos da região. “Se é verdade que o Douro atravessa uma situação difícil, não é menos verdade que os vinhos do Douro e Porto têm alcançado grandes prémios, em todos os fóruns internacionais. Portanto, há que vender mais e melhor, e com promoção nós iremos chegar lá. Os oito milhões de euros seriam destinados provavelmente para essa promoção e iriam ajudar a construir mais riqueza junto dos agricultores, produtores e comerciantes”.
Sector do Comércio pode avançar para tribunal
O sector do Comércio parece que quer levar o assunto às barras do Tribunal. Um facto que não foi desmentido por Manuel António dos Santos. “Desde o fim-de-semana, nós temos estado em contacto permanente o Comércio, que tem sido interlocutor assíduo. Se avançar com uma acção judicial contra esta situação ou se houver outras formas de contestação, nós estaremos sempre de acordo”.
As manifestações podem ser uma das medidas que irão avançar. Entretanto, soubemos que o deputado do PSD, Pedro Pimentel, vai avançar ainda esta semana, na Assembleia da República, com um conjunto de perguntas ao Ministério das Finanças e da Agricultura sobre a legitimidade da medida em retirar o dinheiro que pertencia à Produção e ao Comércio da região.





