Sábado, 6 de Junho de 2026
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Casa do Douro ou Casa no Douro?

Fundada em 19 de Novembro de 1932, a Casa do Douro faz 79 anos no próximo sábado. Um percurso institucional carregado de altos e baixos, encontrando-se actualmente numa autêntica encruzilhada quanto ao seu futuro como organização representativa de cerca de 40.000 viticultores. Sobre a sua cabeça pende um passivo de milhões de euros, que a cada dia que passa parece ser insolúvel.

Nesta data que assinala a passagem de mais um aniversário da Casa do Douro, não se pode esquecer a acção de Antão de Carvalho, um paladino duriense que lutou pela criação deste organismo, além de outros homens da região, nomeadamente Carlos Amorim, Joaquim Carvalhas, Bonifácio Costa, Artur Castilho, Camilo Bernardes Pereira, Costa Lima, entre outros. Figuras que se hoje fossem vivas não iriam, decerto, gostar de ver a realidade da instituição. O Nosso Jornal registou as opiniões dos deputados da Assembleia da República, eleitos no distrito de Vila Real, Rui Santos (PS) e Pedro Pimentel (PSD) sobre o momento actual e o futuro da Casa do Douro.

O socialista Rui Santos manifestou confiança no futuro da instituição e apontou caminhos. “Sinceramente, espero que a Casa do Douro continue a fazer muitos anos e a ser um organismo de utilidade para os seus associados. Há que resolver os seus problemas internos, mas também tem que se virar para o exterior, ajudando os produtores, que bem precisam. A instituição pode ter um papel importante na formação dos vitivinicultores e ajudá-los na elaboração de projectos no âmbito do QREN”. No entanto, para isso “precisa de voltar a ganhar a confiança dos interlocutores governamentais, no sentido de desempenhar de forma capaz as suas funções, que são importantíssimas”.

O deputado tem acompanhado o processo da CD e há poucos dias interpelou o secretário de Estado da tutela sobre o futuro da instituição duriense. “O responsável governamental disse-me que estava em negociações com a Casa do Douro, espero que desta vez as negociações possam ter um fim adequado e sejam levadas a bom porto”, concluiu.

Em nome pessoal e do grupo Parlamentar do PSD, Luís Pimentel felicitou a Casa do Douro e os seus associados pela data de aniversário, mas não esqueceu de referir que a CD e as questões da Região Demarcada do Douro sempre foram uma preocupação do seu partido. “Há três semanas, o PSD apresentou um projecto de resolução relativamente à questão da Região Demarcada do Douro, onde se propõe reflectir sobre um novo modelo interprofissional, dando aqui um reforço das profissões, quer da parte do comércio, quer da parte da produção, ficando o Estado só com a componente de fiscalização e de regulação”.

Pedro Pimentel deixou algumas pistas sobre o futuro da CD, nunca excluindo do processo a participação activa da instituição. “É importante que se forme na região um grupo de trabalho para se discutir qual deveria ser o papel da instituição no futuro, o que deve ser feito em prol do desenvolvimento da região. A CD deveria ser a protagonista, pois representa um grande número de viticultores e é uma instituição com muita tradição na região. Por isso, os Governos e os políticos têm de olhar com olhos de ver e não meter a cabeça debaixo da areia e pensar que não se pode resolver nada”.

Confrontado com a nova realidade do organismo em termos financeiros, Pedro Pimentel lembrou um negócio antigo que poderá estar na origem da actual situação. “O seu esvaziamento de competências poderá ter sido um dos factores, mas não foi só isso. A situação remonta à altura em que comprou 40 por cento da Real Companhia Velha, mas há outros factores”.

Pedro Pimentel deixou algumas ideias orientadoras quanto às futuras funcionalidades da CD. “A Casa do Douro tem de olhar para o futuro de uma maneira diferente, como uma associação que tem defendido até hoje os interesses dos viticultores. Por exemplo, deve pôr os seus laboratórios a funcionar, de forma a que a região possa ter laboratórios condignos e conceituados. A Casa do Douro pode formar, através dos seus Grémios em cada concelho da região demarcada, uma central de compras para que os seus associados possam adquirir produtos mais baratos, principalmente numa época em que a crise aperta e os viticultores durienses sofrem com isso”.

O deputado do PSD aproveitou para recordar que já foi entregue uma proposta sobre a CD à respectiva Comissão e, em breve, irá ser discutida. “O PSD vai defender que a proposta suba ao plenário, para ser aprovada e que sirva para o Governo ter em conta aquilo que o PSD defende para a CD”. “Não pretendemos fazer o que fez nos últimos seis anos o Governo socialista que meteu a cabeça debaixo da areia e deixou a região chegar a este ponto”, concluiu.

 

Avidouro quer a Casa do Douro com poderes reforçados

O aniversário da Casa do Douro não passou despercebido à Associação de Viticultores Independentes do Douro, que, pela voz de Berta Santos, pugna pela “devolução de poderes” que lhe foram retirados. “Queremos mudar a realidade da instituição, até porque os milhares de pequenos viticultores da região precisam da Casa do Douro. Queremos que ela intervenha, que lhe sejam devolvidos poderes para poder intervir e dar indicação de preços na altura do comunicado das vindimas, pois, actualmente, está uma balbúrdia completa. Queremos uma Casa do Douro mais forte e com poderes para poder intervir no Douro”.

Berta Santos lembrou que todos sabiam que as coisas iriam mudar no Douro quando alteraram o figurino da CD. “Quando passaram os poderes da Casa do Douro para a antiga CIRD e agora IVDP, isso representou um frete, um favor, às grandes casas exportadoras e ao comércio. É isto que hoje estamos a constatar, a produção está completamente desprotegida e o grande comércio domina da “cepa ao cálice”, aqui no Douro”, concluiu.

 

Unidouro critica a gestão da Casa do Douro

O presidente da União das Adegas Cooperativas da Região Demarcada do Douro, José Manuel Santos, deixou algumas críticas, tanto aos responsáveis como aos próprios viticultores. “O momento difícil não nos permite festejos. A Casa do Douro deve continuar a ser o grande representante de todos os produtores e faz falta ao sector. Aliás, da sua regeneração dependerá o futuro da lavoura duriense. Enquanto não houver uma voz e uma instituição credível, estaremos todos enfraquecidos. A culpa de se ter chegado a este estado calamitoso é dos seus responsáveis e também dos seus vitivinicultores, pois fizeram escolhas e opções que têm de assumir. No entanto, mais importante do que encontrar culpados, é encontrar soluções com intervenção do poder político em parceria com a região”.

De sublinhar que, o Nosso Jornal tentou por várias vezes ouvir a opinião do presidente da Instituição sobre esta matéria, mas não obteve qualquer resposta às solicitações.


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