Vila RealCentenas de pessoas de todo o distrito saudaram D. Amândio Tomás

Centenas de pessoas de todo o distrito saudaram D. Amândio Tomás

Numa agradável tarde de sol, os fiéis da Diocese responderam positivamente ao pedido do Bispo D. Joaquim Gonçalves e saíram à rua, para receber, “em festa”, D. Amândio Tomás. O novo Bispo Coadjutor de Vila Real pediu a colaboração de “todos”, para anunciar Cristo e ainda deixou algumas mensagens, relativamente à desertificação do interior e […]

Numa agradável tarde de sol, os fiéis da Diocese responderam positivamente ao pedido do Bispo D. Joaquim Gonçalves e saíram à rua, para receber, “em festa”, D. Amândio Tomás. O novo Bispo Coadjutor de Vila Real pediu a colaboração de “todos”, para anunciar Cristo e ainda deixou algumas mensagens, relativamente à desertificação do interior e à tarefa de rever os métodos pastorais, através da aposta “na Catequese, na Evangelização, no Missionarismo e na formação das pessoas e das consciências”.

D. Amândio Tomás é o novo Bispo Coadjutor de Vila Real, tendo sido realizada, no dia 10, a Cerimónia Solene que o levou a apresentar-se, pela primeira vez, aos fiéis do distrito.

“Cristo, Caminho, Verdade e Vida, escolheu-me, guiou-me pelo mundo e trouxe-me à Diocese onde nasci. Voltei, para anunciar Cristo, como quem serve, como discípulo, como aprendiz e humilde trabalhador da Sua vinha. Conto convosco, caros sacerdotes, religiosos e leigos. Conto com os movimentos e as obras de Apostolado organizado. Contais com a minha amizade e dedicação. Todos somos chamados a anunciar Aquele que veio do Pai, se fez um de nós, morreu e ressuscitou e nos deus o Espírito, em ordem à missão. Cristo conta comigo e conta convosco, pois todos somos poucos para O anunciar. Ajudai-me a ajudar o nosso Bispo, o senhor D. Joaquim, que precisa de nós e nós dele, do seu conselho e experiência”, revelou D. Amândio Tomás, durante a sua primeira homilia, enquanto Bispo Coadjutor de Vila Real.

Nascido em 1943, D. Amândio José Tomás é natural do concelho de Chaves, mais exactamente da freguesia de Cimo de Vila da Castanheira, de onde, aliás, e, à semelhança de outras localidades, várias dezenas de pessoas se deslocaram, para testemunharem a cerimónia onde este assumiu funções, oficialmente.

Entre cumprimentos e saudações de amigos, de outros sacerdotes ou de simples desconhecidos, o novo Bispo Coadjutor falou à Comunicação Social, altura em que desvendou alguns ideais.

“Todos são chamados à Santidade, à prática de Justiça e a uma vida verdadeira. Ninguém é excluído. A Igreja é de todos, é obra de Deus e é de todos os que nela colaboram, padres, bispos, religiosos e leigos. Por isso, nós podíamos ter uma multidão de padres, mas, se não tivermos fiéis, verdadeiramente cristãos, não temos Igreja”, defendeu D. Amândio, reconhecendo que deve haver “uma mudança, na estratégia pastoral”, para fazer face à falta de sacerdotes.

Segundo D. Amândio Tomás, essa mudança deve passar pela aposta “na Catequese, na Evangelização, no Missionarismo, na formação das pessoas e das consciências”, acrescentando: “Precisamos de leigos, de homens e mulheres, de diáconos, de agentes da Pastoral que, nas pequenas comunidades, assegurem serviços como a celebração da palavra ou recitação do terço. Depois, os padres virão complementar o serviço, celebrando, de vez em quando, a Eucaristia”, explicou.

O sacerdote, que sucederá a D. Joaquim, revelou-se ainda preocupado com a desertificação das regiões do interior do país, considerando ser necessário encontrar, a nível nacional, políticas “inteligentes e criativas”, para estancar “a hemorragia” das populações, para as grandes urbes.

“As pessoas vão para o litoral, por necessidade de ordem económica. Por isso, se lhes proporcionarmos postos de trabalho, com certeza elas fixar-se-ão”, sublinhou.

De recordar que D. Amândio Tomás que, desde 2001, exercia funções como Bispo Auxiliar de Évora, foi nomeado Bispo Coadjutor de Vila Real, na sequência da doença grave de D. Joaquim Gonçalves que continua em convalescença, na Casa Episcopal de Coimbra, depois de ter sido submetido a um transplante de coração.

“O Bispo Coadjutor auxilia o Bispo Diocesano e suceder-lhe-á, no governo da Diocese. Os três últimos Bispos de Vila Real foram todos coadjutores dos anteriores, tal como acontece com D. Amândio Tomás que será o quinto Bispo da Diocese e, nessa qualidade, o primeiro natural da mesma”, esclareceu D. Joaquim Gonçalves, em comunicado, poucos dias depois de ser conhecida, oficialmente, a nomeação do seu Bispo Coadjutor.

“Não trago programa. O meu programa é Cristo e o seu Evangelho. Foi ele que nos escolheu e enviou, para dar fruto e para que o fruto permaneça. Vim para servir. Tudo farei com o meu Bispo e nada contra ele. Sou pobre e inexperiente, preciso de todos, conto convosco e peço-vos que não me recuseis ajuda”, sublinhou D. Amândio, durante a cerimónia de recepção solene que foi presidida pelo Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, e testemunhada por cerca de 15 Bispos de todo o país, dezenas de padres e centenas de fiéis.

 

Maria Meireles

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