“Vamos sair à rua as vezes que forem necessárias”, garantiu ontem Berta Santos, presidente da direção da Associação de Viticultores do Douro (Avidouro), que dinamizou ontem uma manifestação “ruidosa” pelas ruas da cidade do Peso da Régua, até a sede do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP).
A dirigente associativa acredita que houve uma tentativa de “desmobilizar a concentração” com o anúncio do quantitativo de pipas de vinho do Porto para a próxima campanha, apesar de ainda não ter sido publicado o comunicado de vindima propriamente dito.
O documento aponta um aumento no benefício para as 96.500 pipas, no entanto, fica muito aquém da “proposta de 120 mil pipas apresentadas pela Avidouro” e não responde ainda de todo às necessidades da produção duriense. “Ficamos satisfeitos com o aumento porque houve um resultado à pressão que os viticultores têm feito com as suas ações de luta, mas ainda não chega”, defendeu Berta Santos.
Segundo a mesma responsável, a manifestação mostrou a união e o descontentamento dos viticultores já que juntou “mais de dois mil agricultores” provenientes de toda a região, “desde Foz Côa a Carrazeda de Ansiães”.
No final da manifestação, os agricultores entregaram ao vice-presidente do IVDP um documento onde, mais uma vez, explanaram as suas reivindicações, como por exemplo um “grande aumento do benefício” ou a “melhoria dos preços à produção”.
“A produção de aguardente através de vinhos do Douro, a redução dos preços e dos fatores de produção, o saneamento financeiro da Casa do Douro e das Adegas Cooperativas da região e criação de linhas de crédito bonificadas e a longo prazo para os Lavradores e a Lavoura”, são outras temáticas consecutivamente abordadas pelos viticultores.
“Estamos a dois meses da vindima e os viticultores que teima em produção, que é o que o país precisa, não sabem para onde vão vender as suas uvas”, lamentou Berta Santos durante a manifestação.
Finalmente, os ‘Homens do Douro’ exigem a “criação de um fundo de emergência para acudir ao drama de centenas de vitivinicultores, e suas famílias, afetados pelas falências e insolvências de empresas e adegas cooperativas”.





