Desenvolver a cirurgia de ambulatório só traz ganhos para as unidades de saúde, pelo menos assim o diz uma Comissão Nacional, criada, especialmente, para o desenvolvimento desse regime. Em Trás-os- -Montes, a aposta na cirurgia programada sem internamento já é uma realidade positiva, com os números a colocarem o Centro Hospitalar de Trás-os- -Montes e Alto Douro entre os que mais executa cirurgias de ambulatório, a nível da Região Norte.
O Centro Hospitalar de Trás-os- -Montes e Alto Douro (CHTMAD) “é dos hospitais, na Zona Norte, que mais cirurgias de ambulatório executa, a nível percentual”, encontrando-se acima da média nacional. Os números foram divulgados, no dia 14, na sequência de uma visita da Comissão Nacional para o Desenvolvimento da Cirurgia de Ambulatório (CNADCA) às várias unidades hospitalares da região.
Segundo Carlos Vaz, Presidente do Conselho de Administração do CHTMAD, o desenvolvimento do regime de cirurgia de ambulatório (sem internamento) tem sido “uma aposta estratégica” que colocou a unidade de saúde numa posição cimeira, entre os hospitais da Região Norte, nessa área.
O mesmo responsável explicou que o objectivo é “crescer mais”, permitir “um grande incremento” ao nível das cirurgias de ambulatório, através da dinamização de vários projectos, nomeadamente a construção do hospital de Lamego que “será um hospital de raiz de cirurgia de ambulatório”, cuja fase de projecto está em conclusão, prevendo-se o lançamento da obra “para curto prazo”.
Entre outros projectos salientados por Carlos Vaz estão “o investimento a realizar, em Chaves, com a remodelação do Bloco de Partos”, bem como o desenvolvimento do Bloco Operatório do Hospital D. Luiz, em Peso da Régua, no sentido de possibilitar alargar a realização das cirurgias de ambulatório.
Dados mais recentes indicam que, em 2006, o CHTMAD foi palco de 11.866 operações cirúrgicas, sendo que, entre as realizadas em cirurgia programada (8.692), 2.163 foram em regime de ambulatório (cerca de 25 por cento), sendo de realçar que, segundo Fernando Araújo, da CNADCA, “em Portugal, o número de cirurgias feitas em ambulatório ronda os 20 por cento”.
O objectivo transmontano, para 2008, é chegar aos 30 por cento de cirurgias de ambulatório, o que, segundo o responsável pela Comissão Nacional, é “um bom número”, embora a meta do Governo seja “atingir uma fasquia mais alta”.
“Queremos rondar os 50 por cento e este hospital tem as condições ideais para conseguirmos alcançá-los, de uma forma serena e sustentável”, sublinhou.
Para o ano de 2008, o CHTMAD contratualizou a realização de 15.995 cirurgias, sendo que 3.841 (29 por cento das cirurgias programadas) serão efectuadas em regime de ambulatório.
A CNADCA tem como “missão estudar e propor a estratégia, e as correspondentes medidas, para o desenvolvimento da Cirurgia de Ambulatório no Serviço Nacional de Saúde”, que, segundo a mesma Comissão, “tem um forte impacto social e económico”, estando “associada a um significativo incremento da qualidade, mas, também, a racionalização da despesa em saúde, com uma correcta reorientação dos custos hospitalares”.
Entre as mais-valias sociais da cirurgia de ambulatório, está a redução de listas de espera, sendo de realçar que, actualmente, “existem 3.512 doentes do distrito de Vila Real à espera de uma intervenção cirúrgica. Em média, esperam 3,9 meses, sendo que 64 por cento deles esperam menos do que seis meses”.
Sobre o balanço da visita às unidades hospitalares integrantes do CHTMAD (Vila Real, Régua, Chaves e Lamego), Fernando Araújo mostrou–se satisfeito, sublinhando “a enorme motivação na cirurgia ambulatória. Percebe-se porquê, porque é o futuro. Significa ganhos para o doente (menos riscos de infecções pós – operatórias, vai mais cedo para casa, começa mais cedo a trabalhar) e nós, em termos de sistema de saúde, conseguimos reduzir a lista de espera. Daí esta motivação crescente e o facto de o centro estar a apostar, de uma forma profunda”, explicou Fernando Araújo, considerando que o Centro Hospitalar tem “potencial”, para desenvolver esta área.
Maria Meireles





