Vila RealCentro Oncológico já conta com derrapagem financeira na ordem dos 750 mil euros

Centro Oncológico já conta com derrapagem financeira na ordem dos 750 mil euros

Depois de, mais uma vez, questionado sobre o atraso na inauguração do Centro Oncológico de Trás-os-Montes e Alto Douro, o Governo garantiu que a nova infra–estrutura que vai servir mais de meio milhão de transmontanos deverá abrir ao público ainda no mês de Junho. Sublinhado a derrapagem temporal e financeira, o deputado social-democrata, Ricardo Martins, […]

Depois de, mais uma vez, questionado sobre o atraso na inauguração do Centro Oncológico de Trás-os-Montes e Alto Douro, o Governo garantiu que a nova infra–estrutura que vai servir mais de meio milhão de transmontanos deverá abrir ao público ainda no mês de Junho. Sublinhado a derrapagem temporal e financeira, o deputado social-democrata, Ricardo Martins, voltou a pedir responsabilidades sobre “este tão grande atraso”.

“São 22 meses de atraso, a que acresce uma derrapagem financeira que, nas contas do Ministério da Saúde, ascende os 7 por cento, o que equivale a dizer que rondará os 750 mil euros”, lamentou Ricardo Martins, deputado do Partido Social-Democrata (PSD), à Assembleia da República, no dia 18, altura em que voltou a questionar o Governo de José Sócrates sobre a abertura do Centro Oncológico de Trás-os-Montes e Alto Douro.

A decisão da construção deste Centro “data de Julho de 2004 e a assinatura do contrato de construção ocorreu em 22 de Dezembro de 2004, com um prazo de execução da obra de 420 dias” recordou o deputado eleito por Vila Real, sublinhando que “se descontarmos os cinco meses que demorou a decisão de uma providência cautelar, a verdade é que a obra deveria estar concluída em Setembro de 2006. Acontece que estamos em Junho de 2008 e o Centro Oncológico continua de portas fechadas”.

Segundo as contas do social-democrata, “uma obra que deveria estar concluída em 420 dias já demorou 1.097 dias”.

Ricardo Martins contabiliza, ainda, que, para além dos cerca de dois anos de atraso, a construção do Centro Oncológico conta com uma deslize financeiro superior a 7 por cento do valor da adjudicação inicial, ou seja, um acréscimo de 750 mil euros.

Além que questionar o Ministério da Saúde sobre a data de abertura do Centro, Ricardo Martins perguntou à Ministra Ana Jorge “se se sente confortável” com a situação, sabendo que “o número de doentes com esta patologia (cancro) tem vindo a aumentar e que este Centro pode dar uma resposta altamente diferenciada no tratamento desta doença”.

“Não considera que estamos perante uma situação de inépcia e de incúria, por parte da Administração Pública, ao permitir que um equipamento que devia estar a receber e tratar doentes há, pelo menos, dois anos, continue de portas fechadas?”.

O deputado social-democrata pediu, mais uma vez, que se apontem responsáveis, lembrando que “o Ministério da Saúde dá informações contraditórias”, já que “começou por imputar a responsabilidade ao empreiteiro, para, de seguida justificar o atraso com alterações ao projecto e ao formato do concurso impostas pelo dono da obra”, o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD).

Para já, às questões deixadas pelo deputado da oposição, o Governo deixou apenas a garantia de que o Centro Oncológico deverá abrir as suas portas ainda durante este mês.

A nova infra-estrutura, construída de raiz, junto ao Hospital de São Pedro, em Vila Real, engloba um Serviço de Oncologia, uma unidade de Radioterapia e um Hospital de Dia, com área para tratamento da dor e cuidados paliativos.

Nos seus 36 concelhos de actuação, o Centro de Oncologia vai servir cerca de meio milhão de utentes, um universo populacional onde se registam, anualmente, cerca 1.700 novos casos de cancro. A unidade de tratamento representa uma das primeiras do género a ser construída fora dos grandes centros e irá permitir o tratamento de cerca de 80 por cento dos casos registados na região transmontana, o que representará uma redução drástica na deslocação dos doentes para o Hospital de São João e para o Instituto Português de Oncologia, no Porto.

Em Vila Real, poderão assim ser tratados oito tipos de cancro: os da mama, pulmão, pele, próstata, bexiga, útero, estômago, cólon e recto, calculando-se que, só no primeiro ano, o Centro dê resposta ao tratamento de Radioterapia de 800 transmontanos, número que deverá ser duplicado, no segundo ano de funcionamento.

 

Maria Meireles

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