Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro
Cidadão aponta rol de “erros” e “remendos”, nas obras do saneamento de Pedras Salgadas
Vários anos depois de ter sido encetada, a construção do sistema de saneamento e tratamento de águas residuais de Pedras Salgadas ganhou um novo fôlego, estando prevista a sua conclusão já em 2008. No entanto, segundo foi denunciado, ao Nosso Jornal, “os erros” são mais que muitos e fala-se, mesmo, em “corrupção”, tornando-se, portanto, “crucial” que se faça uma “auditoria”, ao projecto em causa.
A tubagem utilizada nas obras de construção do sistema de saneamento básico e tratamento de águas residuais de Pedras Salgas está sub-dimensionado, garante um morador local que denunciou, ainda, que os responsáveis pela obra já instalaram, mesmo, no dia 16, uma descarga directa para o Rio Avelames, para dar resposta na altura de maior afluência de esgotos.
“A obra já estava concluída, mas voltaram a deitar o muro abaixo, para criarem, na caixa de recepção, um escape directo, para o rio, para o caso da tubagem não comportar o nível dos resíduos”, explicou, ao Nosso Jornal, Joaquim Ferreira, ex-vereador da autarquia de Vila Pouca de Aguiar que garante que o remendo seria desnecessário, se fosse utilizada a tubagem de 320 milímetros, como está previsto no projecto anterior (iniciado há vários anos, mas que nunca funcionou, em pleno) e não de 225 milímetros, como foi, de facto, utilizado.
Depois de algumas centenas de metros, a partir da ponte sobre o rio Avelames, no final da Avenida Nuno Simões (ao lado do Parque Termal), a tubagem que vai receber os resíduos de várias aldeias acaba por ser reduzida, ainda mais, para 200 milímetros, até chegar à estação elevatória.
Joaquim Ferreira afirma que tudo fez para sensibilizar a empresa Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro (responsável pela obra). No entanto, “o seu administrador assumiu, sempre, uma posição prepotente, do eu quero, posso e mando. A sua conduta, perante este projecto de saneamento, é vergonhosa. De nada serviram os meus alertas, pedidos pessoais e telefónicos”, lamenta a mesma fonte que, para além da questão do sub-dimensionamento das tubagens, levanta outras problemáticas, como, por exemplo, o facto de ter sido instalada uma outra descarga directa, desta feita junto da estação elevatória. “Como a estação elevatória não tem gerador eléctrico, em caso de falha de energia da EDP, foi mais fácil criar mais uma descarga, para o Rio Avelames que tão mal continua a ser tratado, quando, a jusante, temos captações de água, para alimentar a aldeia de Sabroso e, em épocas de Verão, auxiliar a aldeia de Bornes e a vila de Pedras Salgadas”, explicou.
No rol de críticas, Joaquim Ferreira vai mais longe, acusando a ATMAD de “corrupção”, alegando que, mesmo depois de ter oferecido o seu terreno para que, de forma gratuita, por ali passasse a conduta e onde os custos dos trabalhos seriam muito inferiores, optaram por “conduzir este projecto por terrenos muito mais dispendiosos, sem tão pouco ter em consideração os prejuízos causados ao dono da propriedade, na margem esquerda”.
Joaquim Ferreira garante que já entrou em contacto com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte, no sentido de denunciar todas essas questões e garante que não vai desistir, enquanto não for feita uma “auditoria” às obras.
Em resposta, Alexandre Chaves garantiu que o Estudo sobre o Sistema de Saneamento de Pedras Salgadas foi realizado por uma empresa creditada, a nível nacional.
“A ATMAD aceitou o estudo como correcto e implementou-o, no terreno, estando prevista a conclusão da obra para o primeiro trimestre de 2008”, referiu o mesmo responsável, voltando a sublinhar que, sobre as questões técnicas levantadas, defende as soluções apresentadas pela empresa.
Maria Meireles






