Sexta-feira, 17 de Julho de 2026
Vila Real“Cidadãos por Vila Real” não desiste da luta contra actual traçado da A4

“Cidadãos por Vila Real” não desiste da luta contra actual traçado da A4

Apesar de já ter sido anunciado o desvio, para Sul, do troço de Vila Real da Auto-Estrada Transmontana (que, com o Túnel do Marão, compõe a A4), os vila-realenses continuam a mostrar-se descontentes, já que consideram que a garantia do Governo não passa de um tentativa de desmobilizar a população. Continuando a defender o aproveitamento […]

Apesar de já ter sido anunciado o desvio, para Sul, do troço de Vila Real da Auto-Estrada Transmontana (que, com o Túnel do Marão, compõe a A4), os vila-realenses continuam a mostrar-se descontentes, já que consideram que a garantia do Governo não passa de um tentativa de desmobilizar a população. Continuando a defender o aproveitamento do IP4, na construção da auto- -estrada, de uma Comissão de Moradores já se fala em de um Movimento Cívico, sendo admitido o recurso ao Tribunal Europeu, para impedir a construção do traçado definido na Declaração de Impacte Ambiental.

“Vila Real merece isto?”, essa é a questão lançada pelo Movimento Cívico “Cidadãos por Vila Real” que, no dia 28, realizou aquela que pretende ser a primeira de muitas acções de sensibilização à população, contra o actual traçado previsto para aquela via que vai ligar Amarante a Bragança.

O movimento de cidadãos que nasceu a partir de uma Comissão de Moradores alega que, mais do que afectar as populações de Folhadela, Constantim e Parada de Cunhos, freguesias mais prejudicadas, a nível ambiental e social, pelo traçado da Auto-Estrada Transmontana, o projecto, cujo Estudo de Impacto Ambiental foi já aprovado, “vai emoldurar” a capital de distrito, prejudicando toda a cidade. Por isso, apela, agora, à participação de todos os vila-realenses, na luta contra o projecto que prevê a construção de um viaduto com 2.700 metros que “será visível de qualquer ponto da cidade” e que vai ter “um efeito paisagístico tremendo”, para além de outras consequências ambientais e ao nível da qualidade de vida da população.

Rui Cortes, investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, voltou a criticar, veementemente, a forma como foi realizado o trabalho de execução do Estudo de Impacte Ambiental e, ainda, “a ligeireza” com que este foi analisado e aprovado.

“Trata-se de um estudo verdadeiramente pobre e realizado não de forma global, mas em função de um determinado projecto de traçado”, lamentou o investigador, questionando “como é possível analisar, em tempo recorde, um documento com mais de 10 mil páginas e que prevê a construção de uma via com 133 quilómetros?”.

Uma das lacunas salientadas pelo membro do movimento cívico é, exactamente, a falta de fundamentação, relativa à exclusão da possibilidade de aproveitamento do actual IP4, o que acontece, aliás, na maior parte do traçado da A4, até Bragança, uma hipótese defendida pelo grupo de cidadãos mas que, segundo Rui Cortes, não foi analisada, a fundo.

O movimento de cidadãos refere que a segunda hipótese que previa a passagem da A4 por baixo da Vila Velha não era “uma alternativa séria” e serviu, apenas, “para justificar a lei”, tendo em conta que “era completamente inexequível, em termos técnicos”.

As críticas das populações de Constantim, Parada de Cunhos, e Folhadela tiveram os seus frutos, com o Governo a garantir o desvio para Sul do actual traçado. No entanto, os cidadãos, agora organizados em Movimento Cívico, consideram que este anúncio serviu, apenas, para “desmobilizar a população”.

“Querem fazer de nós parvos”, lamentou Rui Cortes, realçando que “não se pode falar num desvio considerável, sem se fazerem novos estudos. Seria completamente ilegal um desvio que nem mesmo consta das alterações a fazer ao traçado aprovado”, previstas na Declaração de Impacte Ambiental.

O investigador da UTAD refere, ainda, que “quanto mais a sul, mais cara será a construção do viaduto”, e, apesar de ser uma hipótese mais benéfica, a nível social, em termos ambientais é pior, “porque, provavelmente, exigirá a construção de um viaduto de ainda maiores dimensões”.

Ana Rocha, outro dos rostos do Movimento Cívico, adiantou que as sessões de esclarecimento vão continuar, para que toda a cidade de Vila Real se envolva na luta para impedir a concretização de um projecto que “querem impingir, à população, a todo o custo”.

Rui Cortes renovou, ainda, a intenção do Movimento Cívico de recorrer ao Tribunal Europeu, para evitar a construção da A4, segundo o actual traçado previsto.

De recordar que o troço da discórdia representa 11 quilómetros dos mais de 130 de todo o troço, entre Vila Real e Bragança, e passará a sul da cidade, entre a localidade de Parada de Cunhos e a intersecção com o IP4, na zona de Fortunho.

Na semana passada, o Secretário de Estado Adjunto das Obras Públicas, Paulo Jorge de Campos, anunciou que, até ao final do ano, será lançado concurso público para a concessão desta estrada que contará com um investimento de cerca de 400 milhões de euros.

 

Maria Meireles


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