Quinta-feira, 11 de Agosto de 2022

“Cinquenta por cento da população do concelho tem idade superior aos 50 anos”

Presidente da autarquia está preocupado com os números da baixa natalidade e defende políticas que promovam o emprego, “que é a única forma de estancar a saída das pessoas para outros locais, sobretudo os mais jovens”

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Estamos em maio de 2015, altura em que o concelho de Murça tem “cerca de 50 por cento da população com idade superior a 50 anos”, uma realidade que é comum a muitos concelhos do interior do país, sobretudo na região de Trás-os-Montes e Alto Douro. No entanto, o panorama nacional também não é animador, já que segundo as previsões do Instituto Nacional de Estatística (INE), no ano de 2060, haverá no país cerca de três milhões de velhos. Numa terra onde os jovens escasseiam e que “fogem” cada vez mais, prevê-se que não haja pessoas suficientes a trabalhar e a fazer descontos para a Segurança Social para assegurar as futuras reformas, que serão muito inferiores às atuais. Prevê-se ainda que a pobreza na velhice atinja níveis bastante preocupantes. As soluções não estão ao virar da esquina e por isso é necessário começar já a preparar um futuro, que não será fácil de contornar, face à baixa taxa de natalidade que afeta Portugal e muitos outros países europeus.

O envelhecimento da população é um sintoma da qualidade de vida que a Europa consegue proporcionar, mas também pode ser um dos principais riscos económicos de longo prazo neste velho Continente. A esperança de vida atual é viver até aos 80 anos. Em 1970 era viver até aos 67 anos. Durante três dias, esta e outras temáticas estiveram em debate no I Congresso Animação Sociocultural, que pretendeu lançar desafios sobre um tema global, o envelhecimento, e encontrar soluções para uma troca de experiências intergeracional, em que os mais idosos se sintam cada vez mais úteis à sociedade. “As pessoas têm que estar num espaço onde se sintam úteis e integrados na sociedade”, defende José Dantas, da organização do congresso.

Para o presidente da Câmara Municipal de Murça, José Maria Costa, o concelho que preside já fez grande parte do trabalho ao criar estruturas para que as pessoas possam viver no interior com qualidade, mas falta encontrar formas para que os jovens tenham, aqui, projetos de vida válidos. “É preciso criar emprego, porque onde não há emprego não há pessoas. Defendo políticas facilitadoras que promovam o emprego e o autoemprego, sem isso o interior está condenado”, afirmou o autarca, adiantando que 50 por cento da população do concelho tem idade superior aos 50 anos, números preocupantes, sendo necessário encontrar políticas para inverter esta pirâmide. “Há 15 anos, no primeiro ciclo, tínhamos uma média de 300 crianças, neste momento estamos com menos de 150 crianças, o que significa que mesmo que se consiga fixar pessoas, vamos continuar a perder população, porque a percentagem de população idosa é muito significativa e isso só por si provoca o despovoamento”, sustentou o edil.

Em Murça há instituições que dão resposta aos idosos, mas José Maria Costa defende que se deve dar especial atenção à individualidade da pessoa, ou seja, as medidas devem ser encontradas no terreno e não massificar as respostas. “Devemos atuar no micro espaço, mantendo as pessoas nas suas localidades, nas suas aldeias, onde ainda existe uma relação de vizinhança”. O presidente defende ainda que as respostas devem ser dadas no meio onde estão integradas as pessoas, sobretudo aquelas que tem autonomia e capacidade “devem manter-se dentro do seu espaço, que é onde se sentem bem”.

Outro problema focado foi a falta de partilha e de diversidade da experiência no contacto com os outros da comunidade. “A vida está a tornar-se um ato individual, não só nos idosos, mas também a vida dos mais novos e das famílias, que são cada vez mais monoparentais, fechadas, com rotinas muito definidas. Temos de inverter esta tendência e trabalhar para que a partilha seja uma realidade, entre gerações novas e menos novas”, finalizou o autarca.

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