Quinta-feira, 29 de Julho de 2021
© Márcia Fernandes

“Clubes poderão fechar portas se a retoma não for efetiva”

No final de época desportiva atípica, o presidente da AFVR faz um balanço “positivo” da temporada e destaca o facto de terem conseguido finalizar as competições apesar da pandemia

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No entanto, deixa preocupações para o futuro de alguns clubes, se as competições não regressarem à normalidade, onde se pede presença de público e as camadas jovens em competição plena

VTM – Esteve muitos anos ligado a vários clubes, mas está à frente da AFVR desde 2015, o que é mais difícil ser treinador de futebol ou presidente da Associação?

António Marques – Não posso comparar as duas funções, cada uma delas tem a sua especificidade. Tive um trajeto como treinador do qual me orgulho, mas não posso ser eu a fazer uma avaliação, contudo foram cerca de 15 anos que me dediquei ao treino, que me proporcionaram um conjunto de vivências que me ajudaram imenso para exercer a função que agora desempenho. Ser presidente da AFVR, pela inerência do cargo, assume contornos de maior responsabilidade, uma vez que represento todo um distrito no preâmbulo do futebol e no futsal, nas diversas áreas que lhes estão associadas.

Como treinador qual foi o maior desafio que teve? Ou a história que mais o marcou?

Foi um ciclo muito importante na minha vida, apareceu na sequência da minha formação académica e da enorme ligação que sempre tive ao futebol desde tenra idade. Ser treinador de futebol é um grande desafio, e em todos os projetos onde estive envolvido foram marcantes. Não posso partilhar a história que mais me marcou, como treinador, até porque respeito todos os clubes por onde passei e as pessoas que depositaram a sua confiança em mim. Apenas posso adiantar que foi tão marcante que deixei definitivamente o treino e resolvi dedicar-me ao dirigismo. Nesse sentido foi uma passagem que me marcou de forma negativa, mas que me levou a refletir e até me trouxe a este enorme desafio, que é ser presidente da AFVR.

Mesmo na presidência da AF Vila Real, teve convites para treinar ou para assumir algum projeto desportivo? 

Nos primeiros dois anos ainda fui contactado de forma informal, contudo após ter abraçado este desafio, nunca mais ponderei voltar ao treino. É um ciclo que está fechado.

De que forma a pandemia pode comprometer a curto, médio ou longo prazo os escalões de formação? 

Avaliando a inscrição de cerca de dois mil atletas para um curto espaço de tempo de competição (dois meses), parece-nos bastante positivo. Significa que os clubes e os jovens atletas estão ansiosos por competir. Claro que existe uma preocupação acrescida, nomeadamente nos escalões de iniciação da prática desportiva, por isso temos de estar atentos ao início da nova época e tentar perceber se existe diminuição ou não no distrito. Isso também dependerá da dinâmica interna de cada clube, mas, caso seja necessário, diremos presente no sentido de poder colaborar com todos eles. Esse será o próximo desafio.

A época que terminou em junho não foi difícil de planear, o braço de ferro com as entidades governamentais e de saúde foram muito difíceis? Que garantias pode a AFVR, em conjunto com outras associações, apresentar a essas mesmas autoridades? 

As associações de futebol são tuteladas pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e tem havido um diálogo permanente com a DGS e com o Governo, fazendo perceber que está em causa o futuro dos nossos jovens, quer do ponto de vista desportivo, mas principalmente do ponto de vista social e humano. Todos têm a consciência que não podemos regredir nas tomadas de decisão relativamente ao desporto em geral e no futebol em particular. Caso não seja feita uma retoma efetiva no início da próxima época, haverá com certeza clubes que poderão fechar portas. A economia do futebol distrital ficará definitivamente colocada em causa.

Esta época poderia ter tido um calendário diferente do que teve, principalmente no apuramento de campeão? 

Haveria sempre outras soluções ou alternativas, o formato apresentado e disputado pelas equipas foi aprovado por unanimidade. Jamais a direção da AFVR o faria se assim não fosse. O formato que foi disputado foi aquele que os clubes aprovaram e que defendia os interesses de todos, ou seja, terminar a prova dentro do campo num menor espaço de tempo possível. Caso houvesse mais alguma interrupção, estaria em causa o fim das provas dentro do campo.

Os títulos da AF Vila Real foram bem entregues (Campeonato para o FC Santa Marta e a Taça para o SC Régua)? O Santa Marta será mais um representante do distrito nos campeonatos nacionais. Que expectativas tem a AFVR? 

Quem ganha é sempre merecedor de tal desígnio. Será uma época difícil para o Santa Marta, irá iniciar um novo ciclo no Campeonato de Portugal, esperamos que consigam a manutenção.

O futsal tem vindo a crescer a nível nacional e no distrito também (tanto masculino como feminino). Em que medida a AFVR se sente orgulhosa dos clubes que têm estado em destaque a nível nacional? E as competições distritais como têm corrido?

Temos tido cada vez mais representatividade a nível das competições nacionais, significa isto que os nossos clubes têm obtido resultados meritórios. Espero que se consiga recuperar as subidas diretas dos distritais aos nacionais, sob pena de passarmos a ter cada vez mais dificuldades em estar nas competições nacionais. No futsal, os clubes fizeram um excelente trabalho no período da retoma e com as dificuldades que todos conhecem, conseguimos terminar as provas.

Que tipo de apoios os clubes do distrito poderão ter por parte da AF Vila Real ou FPF para continuar a enfrentar as sequelas da pandemia?

Neste momento estamos a analisar os danos colaterais da pandemia. Nestas duas épocas, disponibilizamos apoios financeiros a todos os clubes, em conjunto com a FPF. Os apoios contabilizados rondam os 120 mil euros, o que para uma instituição como a AFVR é um valor significativo.

A presença de público na final de Taça AFVR é animadora. O que podemos esperar no futuro? 

Foi um momento de grande importância para todos e uma boa forma de terminar a época 2020/21. Esperamos que não haja retrocessos e que a nova época possa trazer alguma normalidade também ao nível da presença de público.

Sente-se com força e capacidade para liderar a AFVR por muitos e bons anos ou pondera uma saída do cargo? Que ideias tem para o futuro?

Estamos a meio do segundo mandato, que termina em 2024. Sou uma pessoa determinada e isso nunca esteve em causa, caso contrário nem sequer seria candidatado. Estão comigo na direção e nos órgãos sociais, pessoas de compromisso e de grande dedicação à AFVR. Neste momento não conseguimos sequer perspetivar a implementação de ideias significativas, importante mesmo é conseguirmos manter o crescimento que estávamos a ter. 

O nosso maior desafio é ter a prática do futebol e futsal em todas as sedes de concelho, nomeadamente ao nível da formação. Quando confinamos em março de 2020, estávamos a iniciar um projeto de incentivo a prática do futebol/futsal um pouco por todo o distrito. Algo que poderia aumentar significativamente a prática nos escalões de formação, com o contributo da AFVR, municípios, clubes e escolas… ainda fizemos duas reuniões (Mondim de Basto e Vila Real), oxalá possamos retomar esta iniciativa e implementá-la. Este será o caminho para garantirmos a prática desportiva dos jovens e aumentar a base de recrutamento, que só poderá ser conseguida se existir um aumento significativo de rapazes e raparigas a jogar. Há ainda uma boa margem de crescimento em todo o distrito, apesar da baixa densidade demográfica. 

Deixo a garantia que eu e toda a minha equipa continuaremos proativos na dinamização do futebol e futsal do distrito.■

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