Domingo, 13 de Junho de 2021

Comboio à vista, 33 anos depois

Poderá estar para breve o regresso do comboio ao troço da Linha do Douro que liga o Pocinho a Barca d’Alva.

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Poderá estar para breve o regresso do comboio ao troço da Linha do Douro que liga o Pocinho a Barca d’Alva.[/block]
O modelo de reabertura do troço em questão vai ser estudado, nos próximos meses, por um grupo de trabalho que foi formalizado no Museu do Douro, no Peso da Régua, na sexta-feira. O grupo é coordenado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento do Norte (CCDR-N), junta dois autarcas em representação da CIM Douro e ainda elementos da Infraestruturas de Portugal (IP).
O protocolo foi selado na presença de Ana Abrunhosa, ministra da Coesão Territorial, que apelidou o dia como “histórico”.

Espero que este dia signifique que aquilo que fechámos no passado se volte a abrir”

ANA ABRUNHOSA
MINISTRA COESÃO TERRITORIAL

“Espero que este dia signifique que aquilo que fechámos no passado se volte a abrir, neste caso, a linha do comboio entre Pocinho e Barca d’Alva. É um momento em que formalizámos um protocolo que prevê um conjunto de estudos que vamos fazer, com calendário e com um objetivo”, explicou a governante, esperando que “daqui a 14 meses haja um relatório completo”. A ministra destacou a importância estratégica do projeto não só para o Douro, mas também para o país, esperando que a conclusão da Linha do Douro possa “motivar Espanha a continuar a infraestrutura até Salamanca”, contudo, do lado de lá, não há, para já, “essa garantia, mas nós somos resilientes e teremos, depois, mais argumentos para os convencer”.
Ana Abrunhosa explicou que vai ser feito um estudo técnico e ambiental, que deverá estar concluído dentro de 60 dias. Depois o grupo fará uma análise económica para perceber os impactos dos investimentos e definirá o modelo de financiamento e o calendário de execução. Os estudos prévios terão um investimento na ordem dos 50 milhões de euros.

“PASSO POSITIVO”

Carlos Silva Santiago, presidente da CIM Douro, não podia estar mais satisfeito com aquilo que diz ser “um passo positivo” para a região, tendo em conta que a ferrovia é apontada como uma prioridade no plano estratégico da Comunidade Intermunicipal, da qual fazem parte 19 municípios.
“Estamos todos muito confiantes. O facto de estarmos aqui hoje é um passo muito positivo, mostra que o Interior tem uma forma de sair do anonimato, que é estar junto e saber distinguir, dentro das suas dificuldades, o que é mais prioritário e, é dentro dessas prioridades, que se consegue este tipo de ações”, afirmou, defendendo que “está provado que a linha é rentável com passageiros e pode tornar-se num caso de sucesso também no transporte de mercadorias”, podendo ser uma oportunidade para “escoar os produtos locais”.
“Penso que hoje é um dia de festa, memorável para a nossa região, que está há 33 anos à espera que uma linha que foi suspensa temporariamente volte a abrir”, confessa.
Recorde-se que a ligação entre Pocinho e Barca d’Alva encerrou em 1988, três anos depois de ter fechado a ligação internacional com Espanha (1985) e nos últimos anos a reativação da ligação com Salamanca tem sido defendida pela sociedade civil, autarcas e deputados da Assembleia da República. Houve também uma petição, promovida pela Liga dos Amigos do Douro Património Mundial e pela Fundação Museu do Douro, que reuniu 13.999 assinaturas em defesa da requalificação e reabertura da Linha do Douro (Ermesinde – Barca d’Alva) e posterior ligação a Salamanca (Espanha).
Luís Almeida, presidente da Associação Vale d’Ouro, admite que “a assinatura deste protocolo é, sem dúvida, um importante momento na luta pela reabertura da Linha do Douro entre Pocinho e Barca d’Alva”, referindo, contudo, que “estes 14 meses são tempo a mais para a realização de mais estudos. Em Portugal, em particular a IP, tem demonstrado uma enorme lentidão no que se refere à gestão de processos sobre a ferrovia”.[/block]

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