É nos concelhos nordestinos que esta tendência mais se está a notar no setor rural tradicional. Os agricultores estão a recorrer aos burros para a execução de algumas tarefas agrícolas para fazer frente ao preço do gasóleo.
Nos concelhos de Miranda do Douro e Mogadouro, esta é já uma prática comum, em que o burro mirandês assume dominância. Algumas das tarefas dos burros são trabalhos como plantação e arranque de batatas, lavrar a vinha, plantação de hortícolas e pequena tração.
No distrito de Vila Real, em alguns concelhos do distrito, a população de asininos está também a aumentar, em particular nos concelhos de Vila Pouca de Aguiar, Ribeira de Pena, Boticas e Chaves. Se por um lado, o incentivo do Estado à criação de burros pode explicar isto, o preço dos combustíveis também é um fator.
“Tenho seis burros e alguns deles são utilizados em tarefas que eram os tratores a fazer. Ganho algum dinheiro com o subsídio, mas agora também poupo no combustível”, contou, ao Nosso Jornal, José Teixeira, agricultor residente em Carrazedo do Alvão (Vila Pouca de Aguiar). Com alguma nostalgia, este agricultor recordou que, antigamente, os burros “eram muito utilizados nos campos”, uma prática que agora se está a retomar. “São muito bons a lavrar, puxar a carroça e arados e a transportar pessoas”, acrescentou.
O Ministério da Agricultura tem incentivos à criação e preservação de asininos, uma medida que tem tido reflexo no aumento da sua população. De salientar ainda o papel importante que a Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino, sedeada em Miranda do Douro, tem vindo a desempenhar na sua preservação (em particular do Burro Mirandês) e com várias iniciativas nas áreas da asinoterapia e turismo. Segundo esta agremiação, neste momento, existem a nível nacional apenas 650 fêmeas reprodutoras desta raça, cujo habitat é predominantemente o distrito de Bragança.





