“Se não tivermos uma nova sede vamos ponderar deixar Vila Real”, garante David Carvalho, director da Companhia Filandorra – Teatro do Nordeste, que este ano completará o seu 25º aniversário.
Segundo o director do grupo de teatro profissional, a Companhia “não quer sair” da capital de distrito, no entanto, não pode esperar muito mais tempo até que a questão, “que está nas mãos da Câmara Municipal de Vila Real”, se resolva.
Apesar da reivindicação ter vários anos, neste momento a Companhia está a negociar com a autarquia a possibilidade de se instalar numa das escolas do primeiro ciclo do ensino básico que ficarão vagas devido à transferência dos alunos para os novos centros escolares, um processo levado a cabo no âmbito da reestruturação da rede de equipamentos escolares.
A resposta para o culminar de uma “situação que começa a ficar insustentável” pode assim estar na cedência da Escola dos Quinchosos ou da Carvalho Araújo, ambas localizadas no centro da cidade, próximas da actual sede da companhia, o Cine-Teatro Morais Serrão (Edifício dos Bombeiros da Cruz Branca de Vila Real).
No próximo mês de Junho terão início as comemorações do 25º aniversário da companhia e é nessa altura que a Filandorra espera receber a confirmação de que poderá mudar de instalações. “Se as negociações falharem, vamos para outro concelho”, explica o director da companhia, revelando que muitos concelhos do interior estão de braços abertos para receber a Companhia e poderá até desenvolver-se um projecto de instalação da Filandorra numa Quinta, estreitando assim a relação “entre o teatro e o espaço rural, entre a terra e a cultura.
Quando questionado sobre a impossibilidade de instalação de um palco nos edifícios escolares em causa, David Carvalho explica que a mudança para uma nova sede será apenas no que diz respeito aos serviços administrativos e residência artística. “Para os espectáculos temos o Teatro de Vila Real”, sublinhou o mesmo responsável apesar de reconhecer que as relações entre a Companhia e a direcção do teatro são “híbridas”.
O responsável lamenta que não haja “diálogo artístico” entre as instituições, pese embora haja um protocolo estabelecido e experiências de sucesso da Filandorra nas salas do Teatro de Vila Real.
“Mês do Teatro” vai levar companhia a 12 concelhos
A Filandorra está, mais uma vez, a levar a cabo “Março, o mês do Teatro”, uma iniciativa que começou ontem, em Alfandega da Fé, e que, até ao final do mês, vai levar a companhia 12 concelhos de seis distritos da Região Norte.
No total de 20 espectáculos, o “Mês do Teatro”, começou com a apresentação do texto vicentino Auto da Barca do Inferno, na Casa da Cultura de Alfândega da Fé, para as escolas e o público em geral daquele concelho. Em simultâneo, a Companhia deu o pontapé de saída à “Escola Municipal de Teatro, uma parceria com a edilidade local que tem como objectivo a criação de um grupo de teatro com supervisão pedagógica e artística da Filandorra”.
Para além de outros espectáculos agendados (em concelhos como Meda, Arcos de Valdevez, Fafe, Penedono, Ribeira de Pena ou Santa Marta de Penaguião), a Companhia destaca o seu regresso à “velhinha sala de espectáculos de Vila Real, o Cine-Teatro Morais Serrão”, onde, no dia 26, para assinalar o Dia Mundial do Teatro (assinalado no dia seguinte), vai apresentar, com entrada gratuita, o Auto da Barca do Inferno.
Para a mesma sala de Teatro estão também agendadas, entre os dias 29 e 31, e para as crianças que frequentam as Escolas do Pré-Escolar, 1º e 2º ciclo, várias sessões do espectáculo “A Menina do Mar”, de Sophia de Mello Breyner.
“Várias gerações passaram por esta sala. O adeus vai trazer uma nostalgia enorme”, considerou David Carvalho, deixando a certeza de que a companhia não se despedirá do palco que durante mais de duas décadas lhe serviu de casa sem preparar uma justa homenagem.
Ainda no âmbito do “Março, o mês de Teatro”, merece destaque as Experiências de Teatro e a Comunidade que a Companhia está a desenvolver junto das populações rurais, a partir dos projectos ANIBILEI e ANIZONAHIS, sublinhando-se a recuperação de uma tradição em Vilar de Perdizes com a apresentação do Auto da Paixão (14 anos depois) pela população local, sob a orientação artística da Filandorra. A realçar ainda o apoio artístico à montagem do espectáculo “Casa de Bernarda Alba”, de Frederico Garcia Lorca, pelo OFITEFA – Oficina de Teatro de Favaios (Alijó).





