A misericórdia de Lamego apresentou o relatório de gestão e contas relativo ao ano de 2019, que acabou por ser aprovado, por unanimidade, em Assembleia Geral.
O documento indica uma saldo negativo de 288.862,70€, justificado com "os aumentos exponenciais do salário mínimo (25% em quatro anos)", sem o respetivo crescimento dos valores das comparticipações dos acordos com a Segurança Social, e as implicações contínuas do aumento dos encargos decorrentes das actividades inspetivas efetuadas por diversas entidades ajudam a explicar o resultado.
A juntar a isto, ao contrário das expetativas iniciais, está "a não assinatura de novos acordos relacionados com o Serviço de Apoio Domiciliário (SAD) e o alargamento do acordo do Lar de Idosos por parte do Instituto da Segurança Social contribuíram para este desfecho".
Por outro lado, o da receita, não se verificou a entrada em vigor do contrato de aluguer de uma ala do antigo Hospital de Lamego para a criação de uma clínica de hemodiálise, facto que também influenciou a execução orçamental. Devido a um atraso verificado na execução das obras, a Misericórdia de Lamego também não recebeu uma nova tranche de financiamento por parte do Fundo Rainha D. Leonor, relativa à requalificação do Lar de Idosos de Arneirós.
Num ano marcado pela realização de um extenso programa de iniciativas que assinalaram o 500º aniversário da sua fundação, a Santa Casa da Misericórdia de Lamego continua a apostar no controlo rigoroso do funcionamento de todas as suas respostas sociais, estratégia que não pôs em causa a excelência dos serviços prestados nem constituiu qualquer obstáculo à modernização dos processos de trabalho e do reforço da formação dos recursos humanos.
Para o futuro, o Provedor António Marques Luís acredita que a mais antiga instituição de solidariedade social do concelho se vai adaptar aos novos desafios.
“Estamos pressionados a melhorar continuamente o que já temos e a identificar novas possibilidades de atuação”, afirma, destacando o estabelecimento de diversas parcerias com entidades locais.
Para além de aprovarem o relatório de contas, os irmãos presentes na Assembleia Geral da Misericórdia de Lamego, a primeira realizada no contexto da atual pandemia, também votaram favoravelmente a cedência de uma parcela de 165,50m2 da Quinta do Poço, para o domínio público municipal, uma cedência que tem como objetivo o alargamento e a requalificação do principal acesso rodoviário à zona de Medelo, recebendo esta instituição como contrapartida a melhoria da acessibilidade às valências instaladas nesta zona.
A Mesa Administrativa garantiu ainda que apresentará, em próxima Assembleia Geral, os resultados do plano de reajustamento económico-financeiro, baseado na auditoria que solicitou e que já foi entregue pela União das Misericórdias Portuguesas. O documento propõe também a adoção de diversas medidas estruturais para uma redução sustentada do défice de exploração.
O Relatório de Gestão e Contas da Santa Casa da Misericórdia de Lamego, relativo a 2019, mereceu o parecer positivo do Conselho Fiscal.






