Quinta-feira, 11 de Agosto de 2022

Cor política ‘esquecida’ em prol das populações da região

Conscientes de que apenas a uma só voz poderão ter força para fazer frente a medidas que colocam em causa o futuro da região, 16 autarcas encontraram-se pela primeira vez para unir forças e “traçar estratégias”. Os que não marcaram presença manifestaram a sua solidariedade e garantiram que pretendem percorrer o caminho conjunto. A próxima reunião deverá realizar-se já para a semana, em Bragança.

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As portagens, o preço da água, o encerramento de serviços, o Túnel do Marão e a questão da Casa do Douro são alguns dos temas que afetam todos os concelhos de Trás-os-Montes e Alto Douro e que estão a ser encarados em espírito de consenso pelos autarcas que, no dia 30, sentaram-se à volta da mesma mesa colocando de lado os partidos em prol do interesse das populações que os elegeram.

Vários foram os presidentes de Câmara que aceitaram o repto lançado por Rui Santos, que lidera o município de Vila Real, para reunirem na capital de distrito e discutirem os principais temas que preocupam a região, tendo participado um total de 16 representantes das autarquias, cinco dos quais do PSD.

“Mesmo os que não puderam estar presentes mostraram-se solidários e com vontade de caminhar connosco neste percurso, que está a ser construído para que todos, sem exceção, estejamos presentes nas soluções”, explicou o anfitrião do encontro.

Entre os temas debatidos estão temáticas como o Túnel Marão, o encerramento de serviços de forma administrativa, fim dos incentivos fiscais para o interior, a linha aérea, a regionalização, a casa do Douro e o Laboratório de Sanidade Animal de Mirandela, sendo que o principal destaque foi para as portagens e as tarifas da água.

Neste segundo problema, os autarcas adiantam já a possibilidade de tomarem uma posição de força, ao “ponderar seriamente deixar de pagar a água em alta se o processo de fusão (entre as Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro e do Douro e Paiva) não se concretizar e as tarifas não baixarem de forma significativa”.

Sobre as portagens, ainda não foram anunciadas medidas em concreto, ficando, no entanto, “absolutamente claro” a contestação geral à cobrança na A4 e a necessidade de se recuar no que diz respeito à A24. “Somos a favor de que as obras do Túnel do Marão se concretizem o mais rapidamente possível, porque cada dia que passa é um prejuízo muito significativo para a região, para o seu setor económico e social. E pensamos que o Governo pode, já que atrasou três anos a construção, conceder uma moratória para o pagamento de portagens no Túnel depois da sua conclusão”.

Rui Santos explicou ainda que a reunião terminou com a “firme intenção de convidar o primeiro-ministro para uma reunião, onde serão explicitadas as posições relativamente a todos estes temas”.

Nuno Gonçalves, social-democrata que lidera a Câmara Municipal do Peso da Régua, lembra que “a região não tem partido, tem pessoas e um percurso de desenvolvimento e crescimento económico que precisa naturalmente de atingir”. “Temos muitos problemas que nos são colocados pela administração central com decisões com as quais não concordamos. Se nos unirmos em torno do que são os nossos objetivos, muitas vezes transversais e comuns a todos os autarcas, e se falarmos a uma só voz, seremos ouvidos com outra clareza e com maior atenção”, defendeu.

Também Berta Nunes, autarca de Alfândega da Fé, acredita que “a primeira lealdade” das autarquias deve ser “para com as populações e o território” e que, no cômputo geral dos problemas discutidos, o que realmente está em causa é “o despovoamento do interior”. “Nós, os autarcas, temos vindo a lutar a favor do desenvolvimento local, da coesão territorial, tentando contribuir para o desenvolvimento do país e para a criação de riqueza”, garantiu a mesma responsável, considerando que a região está “numa situação em que é preciso dizer basta”.

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