“No caso de Vila Real, por exemplo, não há nenhum psiquiatra que responda às necessidades do distrito de forma permanente”, denunciou ao Nosso Jornal Honório Novo, deputado do Partido Comunista Portuguesa (PCP) na Assembleia da República, no dia 23, depois de uma reunião com a direção regional do Norte do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) que, na sequência de cortes orçamentais, despediu um total de 85 profissionais de saúde.
O deputado sublinhou que a situação é grave em toda a região, mas é preocupante em especial nos distritos de Vila Real e a Braga, onde os serviços chegaram a um estado de “pré-rutura”.
“A reunião foi muito clara. O forte desinvestimento público, ou seja, cortes orçamentais levados a cabo em 2010 e 2011 superiores a seis por cento, teve como consequência a redução nos recursos humanos, nos profissionais qualificados”, sublinhou o mesmo responsável político, explicando que foram despedidos médicos, psiquiatras, psicólogos e enfermeiros que tinham contratos em ‘outsourcing’ ou a termo.
Para Honório Novo, o exemplo da falta de um psiquiatra a tempo inteiro no distrito de Vila Real é revelador, tendo em conta que o profissional de saúde que se desloca do Porto até à capital transmontana quinzenalmente “não responde às necessidades do distrito” no que diz respeito ao acompanhamento dos utentes em tratamento.
Para complementar a situação complicada ao nível dos serviços locais do IDT, o comunista sublinha que estes funcionam em estreita parceria com outros organismos, nomeadamente autarquias, associações, instituições particulares de solidariedade social e organizações não-governamentais, que, por sua vez, viram também o apoio do Estado para a sua atividade ser muito reduzido.
“Naturalmente, essas parcerias existem para dar uma resposta mais flexível, eficaz e atempada ao acompanhamento dos utentes, mas a verdade é que também esses parceiros estão a sofrer grandes cortes orçamentais”, reforçou.
Honório Novo classifica a política levada a cabo nos últimos anos e corroborada pelo atual Governo como “suicida”, isso tendo em conta um fenómeno bem conhecido das sociedades. “Nós percebemos que num contexto de crise económica e social e de austeridade absolutamente cega, com efeito ao nível dos aumento dos fatores de pobreza, de isolamento, de desemprego, os casos potenciais de dependência de estupefacientes têm tendência a aumentar”, sublinhou, relatando que esse facto já está a ser “sentido pelo próprio IDT no terreno”.
O deputado teme ainda que “a experiência, flexibilidade e transversalidade de resposta que o IDT desenvolveu ao longo de três décadas, e que hoje são alvo de reflexão, análise e estudo por parte de diversos países ditos avançados, possa ser prejudicada”.
Ao nível da região Norte, o IDT acompanha atualmente 13 mil utentes, contando com um orçamento 19,5 milhões de euros, um valor que sofreu uma quebra, face a 2010, superior a seis por cento.
O Nosso Jornal tentou entrar em contacto com a diretora do Centro de Respostas Integradas de Vila Real, a estrutura local do IDT no distrito, que, até a hora de fecho desta edição não se mostrou disponível.
De recordar que, a equipa de tratamento da Unidade de Vila Real do CRI viu ser confirmado, no final de 2010, o seu processo de certificação de qualidade, um reconhecimento, na altura, único em Portugal e o segundo atribuído na Europa.




