Segunda-feira, 2 de Agosto de 2021

“Decisão foi prematura”

Antes de a Federação Portuguesa de Futebol tomar a decisão de cancelar todos os campeonatos não profissionais de futebol e futsal, o presidente do Grupo Desportivo de Vilar de Perdizes propôs, através da Associação de Futebol de Vila Real, um esquema que permitia a realização dos jogos e das provas que restavam para o término da época.

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“A AFVR, antes da reunião com a FPF, pediu um parecer aos clubes. Fiz uma proposta explicando que, poderíamos retomar a competição a 17 de maio, terminando-a a 28 de junho, jogando todas as quartas-feiras e domingos. Daria para fazer os 10 jogos que faltavam para o campeonato e os três para a Taça da AFVR”, explicou Márcio Rodrigues, presidente do Vilar de Perdizes. 

A proposta não foi tida em consideração e “quando o órgão máximo decide não há nada a fazer”, referiu o presidente dos guerreiros da raia, que, apesar de ter concordado com a decisão, uma vez que “a saúde e a segurança das pessoas está em primeiro lugar”, considerou-a “prematura”. “Penso que não devemos tomar o caminho mais fácil e temos que olhar para os clubes”. 

Desportivamente, e até à suspensão das atividades profissionais, o Vilar de Perdizes ocupava a 3ª posição com 47 pontos e tinha carimbado um lugar nas meias-finais da Taça da AFVR. “Penso que ia ser um campeonato bonito, estava a ser bastante competitivo, como já não se via há algum tempo e que acredito que ia ser decidido nos pormenores e até à última”. Para além da equipa sénior de futebol de 11, o clube barrosão estava naquela que poderia ser “uma época dourada da sua história” pelo trabalho já conquistado também pela formação no futsal. “Fica um amargo de boca pela época que estávamos a fazer e pelo trabalho que, desde agosto até março, vínhamos a desenvolver”. 

PREJUÍZOS AVULTADOS

O organismo que tutela o futebol e futsal nacional criou um fundo de apoio de cerca de 4,6 milhões para os clubes não profissionais, mas Márcio Rodrigues não acredita que esse fundo englobe os clubes das distritais. “O Vilar de Perdizes não vai em cantigas. Tudo o que é comunicações e informações eu recebo no email institucional e até agora nem a AFVR nem a FPF enviou o que quer que seja sobre algum apoio que possamos vir a receber”. 

Sobre a linha de crédito criada pela FPF, que alguns clubes já estão a beneficiar, o presidente do Vilar de Perdizes é categórico: “Já recebemos a linha de crédito, mas esse dinheiro teremos que o devolver posteriormente e nós não temos condições para fazer um crédito”. 

No clube barrosão, “o dinheiro está a sair e não está a entrar” e com a pandemia a afetar principalmente a economia, Márcio Rodrigues terá que fazer contas para perceber o prejuízo com que terá que lidar, sabendo de antemão que “vai ser muito”. “Continuamos a pagar as nossas despesas, a luz, os seguros e impostos de circulação das viaturas e o alojamento dos jogadores estrangeiros. Só em patrocínios temos cinco mil euros na rua. Como posso ir pedir-lhes dinheiro com esta situação quando as suas próprias empresas não estão a laborar? Não lhes posso exigir nada!”, referiu Márcio Rodrigues. 

O dirigente questiona ainda como é que os clubes poderão recuperar o investimento feito para esta época e aconselha FPF e AFVR a arranjar uma “fórmula para compensar os prejuízos ou com isenções ou descontos…”. 

CONTINUIDADE NA PRESIDÊNCIA 

Márcio Rodrigues está no leme do Vilar de Perdizes há 11 anos, onde já foi jogador, tendo envergado durante várias épocas a braçadeira de capitão. 

Ainda antes da pandemia se ter instalado e despoletado toda esta situação, o dirigente já tinha posto em cima da mesa a possibilidade de passar a pasta da presidência mas, neste momento, essa decisão ficou mais difícil de tomar. “Nem eu, nem o Vilar de Perdizes merecemos um final assim, mas não quero estar a tomar já uma decisão. Não queria que a minha passagem pelo futebol e pelo Vilar de Perdizes terminasse desta forma. São muitos anos de dedicação a este clube que me diz tudo”. 

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