Numa tarde primaveril, no Monte da Forca, o Vila Real perdeu os primeiros pontos caseiros, nesta época. O Santa Marta foi a equipa que conseguiu a proeza. As duas formações já se tinham encontrado, por duas vezes, durante esta temporada, com os “alvi-negros” sempre em clara superioridade, com cinco golos sem resposta, nos dois anteriores jogos. Mas, desta vez, tudo foi diferente. Os comandados de Justino traziam a lição bem estudada. Entraram com atitude e sem medo do actual líder do campeonato. Logo aos 3 minutos, os forasteiros adiantaram-se no marcador. André desferiu um remate, de fora da área, a bola descreveu um arco e entrou no canto superior direito da baliza de Vieira. O guarda-redes vila-realense ainda se fez ao lance, mas, como estava adiantado, no terreno, não conseguiu chegar à bola. Golo madrugador que colocou os pupilos de Luís Pimentel em alerta máximo. Como lhe competia, os visitados começaram a cercar a baliza de Nené que negou o golo a Gabriel, ao minuto 8. Nuno Meia, através da marcação de um livre, levantou para o segundo poste, aparecendo Gabriel, a cabecear, para boa defesa de Nené. Na resposta, Youssef ficou isolado, mas o remate foi ao encontro de Vieira que segurou, sem dificuldades.
A avalanche ofensiva sobre a baliza forasteira era, agora, maior. Na marcação de um pontapé de canto, a bola foi tirada, sobre a linha de golo. A ameaça estava feita e, no lance seguinte, surgiu o empate. De novo, Meia a marcar o canto, ao primeiro poste, onde surgiu o “capitão” Zé Monteiro, a cabecear, para a igualdade.
A partir de então, as equipas baixaram o ritmo de jogo e as oportunidades foram escasseando, junto das balizas. O Vila Real, entretanto, perdeu um elemento importante no ataque, com a lesão de Gabriel, aos 27 minutos. Luís Carlos entrou para o seu lugar, ocupando a faixa esquerda. Pedro Alves assumiu-se como o homem mais avançado, mas faltou-lhe o poderio físico de Gabriel, para lutar, taco a taco, com os possantes centrais visitantes. Os penaguiotas equilibraram e conseguiam desnortear o meio-campo “alvi-negro” que esteve uns furos abaixo daquilo que já nos demonstrou. Fraguito esteve muito apagado, na recuperação da bola e na distribuição de jogo. O médio acabou por sair, lesionado, já no decorrer do segundo tempo.
Na parte complementar, o Vila Real assumiu o comando do jogo, mas Nené, entre os postes, não deu hipóteses aos avançados da casa. Esteve muito seguro e rubricou uma boa exibição.
Apesar de ter maior tempo de posse de bola, os vila-realenses não conseguiam encontrar o caminho da baliza. Com menor ou maior dificuldade, a defensiva de Santa Marta esteve implacável, não dando brechas aos homens da casa. Só através de um livre, Meia criou dificuldades a Nené que, com as pontas dos dedos, desviou, sobre o travessão. Faltou acutilância ofensiva, no último terço do terreno.
Aos 83 minutos, Filipe foi expulso, por ter travado Fisga que seguia, isolado, para a baliza. Mesmo a jogar com dez elementos, a melhor oportunidade para alcançar a vitória pertenceu aos “alvi- -negros”. O protagonista foi Pedro que, no último minuto, teve, primeiro, na cabeça, e, depois, nos pés, duas excelentes ocasiões, para desfazer o empate. Nuno Meia levantou para a área, Pedro surgiu, a cabecear, para o alívio de Nené. Na recarga, Pedro atirou, a rasar a barra. Este foi o último lance do jogo que o avançado vila-realense não aproveitou, para que a sua equipa pudesse chegar à vitória.
Apesar do empate, o adversário directo não aproveitou o deslize do líder, uma vez que, também, não conseguiu vencer o seu adversário.
O resultado acaba por ser justo, num jogo em que o Santa Marta lutou muito, pela conquista de um ponto, num terreno extremamente difícil. O Vila Real sentiu algumas dificuldades, com as lesões que decorreram no jogo e acabou por perder os dois primeiros pontos, no seu reduto.
Luís Pimentel, treinador do Vila Real
“Tivemos as melhores oportunidades”
Conformado com o resultado, Luís Pimentel salientou as lesões que decorreram no jogo e que, claramente, condicionaram a sua estratégia, ao longo da partida.
“Começámos o jogo a perder. Mesmo assim, fomos organizados, dinâmicos e tivemos várias oportunidades de golo. Rapidamente, conseguimos chegar ao empate, com todo o mérito. O Nené fez três defesas fantásticas. Depois, o jogo entrou num período com muitas paragens, com a perda de tempo dos jogadores do Santa Marta e isso quebrou o ritmo de jogo. Na 2.ª parte, não estivemos tão bem, mas continuámos a ter as melhores ocasiões, para marcar. Mas, o Nené teve uma tarde inspirada. Também tivemos três lesões forçadas e, ainda, uma expulsão. Tudo isso condicionou a nossa estratégia”.
O técnico “alvi-negro” fez já a antevisão do jogo da Taça, onde vai, de novo, receber o Santa Marta.
“A Taça tem características muito próprias, na qual cada jogo é uma final. Para se estar nessa final, o que é nosso objectivo, é preciso ganhar finais sucessivas e é isso que vamos tentar fazer, no próximo domingo”.
Justino, treinador do Santa Marta
“Fiquei satisfeito com o resultado”
O técnico visitante ficou satisfeito com o empenho e espírito de grupo demonstrado pelos seus jogadores.
“Levamos, daqui, um ponto, fruto do trabalho que desenvolvemos. Sofremos o suficiente, para conquistarmos esse ponto. O Vila Real teve algum ascendente, mas nós, também, tivemos algum controlo sobre alguns períodos do jogo. A primeira parte foi equilibrada. Na segunda, nomeadamente, nos minutos finais, o Vila Real, apesar de ter menos um jogador, arriscou tudo e poderia ter chegado à vantagem, numa excelente oportunidade gorada pelo avançado. O Santa Marta lutou, trabalhou e, mesmo que não tivéssemos empatado, teria que estar satisfeito, pelo empenho dos jogadores.
Para o próximo jogo que será, de novo, frente ao Vila Real, Justino refere que o Santa Marta também tem aspirações, na Taça.
“Já tenho uma estratégia planeada. Vamos trabalhar, durante a semana, para que, no Domingo, possamos chegar aqui e surpreender o Vila Real”.
Márcia Fernandes
FICHA TÉCNICA
Jogo disputado no Complexo Desportivo do Monte da Forca, em Vila Real.
Árbitro: António Carvalho.
Auxiliares: Telmo Silva e Fernando Silva.
VILA REAL – Vieira; Filipe, Zé Monteiro (Fredy, 56’), Miguel e Peixoto; Norberto, Fraguito (Leirós, 56’) Castanha e Gabriel (Luís Carlos, 27’); Nuno Meia e Pedro.
Suplentes não utilizados: Carlos e Caniggia.
Treinador: Luís Pimentel.
SANTA MARTA – Nené; Jorginho, Luís Silva, Capelas e Pires; Zé Carlos, Feliciano, André (Armando, 70’) e Diogo; Youssef (Dani, 65’) e Ricardo Martins (Fisga, 74’).
Suplentes não utilizados: Artur e David.
Treinador: Justino.
Cartões amarelos: Ricardo Martins (15’), Miguel (59’), Castanha (61’), Luís Silva (76’), Diogo (81’) e Luís Carlos (90+2’).
Cartão vermelho: Filipe (83’).
Ao intervalo: 1-1.
Marcadores: André (3’) e Zé Monteiro (12’).

