A delegação distrital da Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP) vai ter uma sede física já partir do próximo mês, um espaço que será localizado nas instalações da Ordem dos Médicos de Vila Real e que permitirá o desenvolvimento de uma melhor “ação social, preventiva e informativa ao nível da saúde respiratória”.
“É evidentemente que esta delegação não tem cumprido muito o seu papel. Mas agora vamos fazê-lo”, garantiu Abel Afonso, médico pneumologista e delegado distrital da Fundação.
Reunir regularmente de modo a dinamizar um plano de atividades muito mais ambicioso é um dos objetivos da delegação, que pretende desenvolver “ações de sensibilização e de promoção de rastreios gratuitos e a divulgação de várias temáticas em jornais”. “Enfim, há um conjunto de patologias respiratórias que são cada vez mais comuns e sobre as quais queremos sensibilizar as populações no sentido da prevenção e para um diagnóstico precoce”, sublinhou.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), a asma, o cancro do pulmão ou a síndrome da apneia obstrutiva do sono são apenas algumas das patologias que devem ser esclarecidas junto das populações, sendo de sublinhar que, por exemplo, 40 por cento da população portuguesa sofre de algum tipo de doença respiratória esporádica.
A asma afeta 10 por cento dos portugueses enquanto a rinite chega a 25 por cento da população.
“E há outra doença que merece também várias ações de sensibilização, nomeadamente uma patologia do sono ou a síndrome da apneia obstrutiva do sono”. Calcula-se que “roncopatia” atinja perto de 27 por cento da população adulta, particularmente os homens. Segundo Abel Afonso, esta doença “merece uma séria reflexão” isso porque se trata de “uma patologia que está associada a outras questões de saúde, ou seja, é desencadeada por exemplo pela obesidade, tensão arterial ou patologia cardíacas”. “Queremos sublinhar que se pode fazer um diagnóstico cada vez mais precoce e terapêuticas mais adequadas”, defendeu.
Apesar de considerar necessária a divulgação de todas as patologias de uma forma geral, o pneumologista acredita que uma em especial poderá incidir mais na região transmontana, a DPOC.
“A saúde pulmonar dos transmontanos não difere do resto do país, mas acredito que nesta região haverá tendência para a prevalência de algumas patologias”, explicou o médico, adiantando que pretende fazer um estudo epidemiológico para avaliar a incidência em Trás-os-Montes da DPOC, patologia que, “a nível nacional”, atinge 14,2 por cento dos portugueses com mais de 40 anos.
As condições climatéricas mais intensas, as condições habitacionais que não são as mais adequadas, com casas muito degradadas e sem aquecimento, que sobrevivem um pouco da velha lareira, também ela poluente, são fatores que contribuem para esta doença.
A Fundação Portuguesa do Pulmão foi instituída em 2009, “por vontade dos seus fundadores a Associação Nacional de Tuberculose e Doenças Respiratórias e um conjunto de personalidades preocupadas com a repercussão social das doenças respiratórias, as quais, no seu conjunto, são uma das principais causas de morbilidade, incapacidade de longa duração e mortalidade”.
No plano de atividades da Fundação está ainda a comemoração de datas como a Semana da Tuberculose (20 a 24 abril), Mês do Pulmão (abril), ou os dias mundiais da saúde e da asma.




