Vila RealDeputado defendeu transferência de acelerador linear para Trás-os-Montes

Deputado defendeu transferência de acelerador linear para Trás-os-Montes

Esta semana o PS dedicou um dia às questões da saúde e os vários deputados do partido analisaram in loco a situação de cada distrito. Em Vila Real coube a Agostinho Santa reunir com as entidades e fazer um balanço do setor. Sobre o Hospital de Vila Real foi defendida a transferência de um acelerador linear do Porto para a região, já no que diz respeito a Chaves, foi abordada a questão da criação da Unidade Local de Saúde Alto Tâmega, que ainda não saiu do papel. O deputado lamentou ainda que o hospital da Régua esteja a funcionar apenas com 12 camas para “iludir as pessoas”.

Apesar de reconhecer que “será difícil convencer quem está no Porto”, Agostinho Santa, deputado do Partido Socialista na Assembleia da República, defendeu, no dia 20, depois de uma reunião com a administração do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD), a transferência de um acelerador linear para o Centro Oncológico transmontano.

“Consideramos que o Centro Oncológico, que é um serviço de topo, moderno, com gente muito capaz, com um serviço prestado aos utentes de assinalar”, defendeu o mesmo responsável político, lembrando que a existência de mais um equipamento de radioterapia permitiria alargar a área de atuação daqueles serviços para o distrito de Bragança e garantiria uma maior “celeridade” no atendimento aos doentes, e o aumento do “nível de afetividade” na relação com os doentes.

Agostinho Santa sublinhou que o IPO no Porto tem sete aceleradores lineares e que o Centro Oncológico de Trás-os-Montes e Alto Douro está preparado para receber mais um, o segundo ao serviço da população da região. “A lógica de funcionamento depende muito de quem comanda isto e, feliz ou infelizmente, esta lógica está muito dependente do funcionamento dos próprios IPO’s”, lamentou.

De recordar que, recentemente, em declarações ao Nosso Jornal, o Conselho de Administração do CHTMAD já tinha manifestado a necessidade de obtenção de um novo equipamento de radioterapia de forma a estender o serviço ao distrito vizinho. Dos doentes do Nordeste transmontano, 170 são tratados fora, o que implica um gasto anual de 523 mil euros em deslocações para o Porto. Ou seja, feitas as contas, se houvesse a possibilidade dos utentes ficarem em Vila Real, calcula-se uma poupança na ordem de 240 mil euros em transportes por ano.

 

Hospital D. Luiz mantém 12 camas de medicina interna “para iludir as pessoas”

Outro tema que foi abordado na reunião com o conselho de administração foi o ponto de situação do processo de manutenção do Hospital D. Luiz, na Régua, que, segundo o deputado, está “à espera de algum milagre que apareça”.

Aquela unidade tem uma “história de morte anunciada” e por mais “que nos tenham dito para ter calma e esperança, ela vai acontecer”, defendeu Agostinho Santa, explicando que as 12 camas que ainda se mantém em funcionamento no serviço de medicina interna servem apenas para “iludir as pessoas”.

O mesmo responsável político lamenta que “neste momento ninguém seja capaz de dizer o que se vai passar”. “As portas mantêm-se abertas para dar resposta a pressões, para que as pessoas achem que o hospital da Régua ainda existe”, criticou.

O PS levanta também dúvidas quanto ao processo de entrega do hospital a privados, considerando difícil “que queiram pegar na unidade, tendo em conta o universo reduzido de utentes”, um dado que “obriga a que haja um serviço público diferenciado, uma discriminação positiva”.

 

Unidade de Saúde Local do Alto Tâmega ainda não saiu do papel

Finalmente, o deputado falou sobre o Hospital de Chaves, uma unidade que tem sido alvo de uma “perda clara e inequívoca de serviços e de médicos” e que espera que se conclua o processo de criação da Unidade Local de Saúde do Alto Tâmega.

“Existe uma resolução da Assembleia da República de março de 2011 que recomenda ao Governo que seja criada uma Unidade Local de Saúde que abrangesse o hospital de Chaves e integrasse também os centros de saúde de Chaves, Boticas, Montalegre e Valpaços”, recordou Agostinho Santa.

A resolução “apontava medidas urgentes que tinham que ser tomadas no hospital de Chaves”, entre as quais, por exemplo, a garantia a abertura a tempo inteiro da urgência e do serviço de pediatria e o funcionamento do Bloco operatório em regime noturno. “Foram tomadas essas medidas urgentes? Não”, criticou o socialista, considerando que foram “dois anos e meio perdidos”, não se conhecendo sequer “os estudos que deveriam ter sido feitos”.

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