Vila RealDeputados alertaram para a falta de especialistas nas unidades de saúde

Deputados alertaram para a falta de especialistas nas unidades de saúde

A situação não é única em Trás-os-Montes, afeta sim todas as regiões do interior e tem a ver com a falta de disponibilidade dos médicos especialistas. Essa foi uma das conclusões da Comissão de Saúde do Parlamento Nacional, cujos deputados alertaram ainda para a dispersão dos serviços e a falta de articulação entre os cuidados primários e hospitalares.

Os deputados da Assembleia da República que constituem a Comissão da Saúde deslocaram-se, no dia 10, aos distritos de Vila Real e Bragança para constatar, in loco, a realidade transmontana, tendo sublinhado, entre outras lacunas, a falta de recursos humanos, nomeadamente médicos especialistas.

“Uma coisa que notámos é que há necessidade de médicos especialistas nestas zonas do interior, porque está tudo localizado no litoral”, explicou o deputado social-democrata e vice-presidente da Comissão, Couto dos Santos.

O mesmo responsável político considera que se trata de “uma questão cultural”, sendo por isso necessário “estimular os médicos especialistas a virem para o interior, porque as vagas, segundo dizem os presidentes dos conselhos de adestração, são abertas e não são preenchidas”.

Também o deputado do PCP na AR, Jorge Machado, mostrou “grandes preocupações no que diz respeito à falta de recursos humanos”. “Constatámos que existem problemas sérios ao nível da enfermagem e em muitas especialidades temos apenas um médico para todo o centro hospitalar, o que coloca grandes dificuldades” aos serviços, defendeu.

Mas para o deputado comunista a justificação para esta situação prende-se com “as medidas economicistas em torno da saúde” que “têm consequências muito graves no acesso à população”.

“Não há a mínima sensibilidade por parte da administração central, o Governo está meramente a poupar recursos”, sublinhou Jorge Machado.

Finalmente, também Luísa Salgueiro, que representa a bancada socialista na Comissão de Saúde, referiu, depois da visita a várias unidades, a falta de profissionais como uma das lacunas encontradas. A deputada foi até mais específica, referindo-se exatamente às Unidades de Saúde Familiar (USF) do Corgo e Nuno Grande, que funcionam nas instalações do Centro de Saúde número 1, de Vila Real. “Mais uma vez, o problema é de pessoal. As equipas foram constituídas nas candidaturas apresentadas no âmbito do processo de criação das USF, mas neste momento já estão desfalcadas, porque as pessoas saem, os médicos aposentam-se e não há renovação, por isso há uma maior dificuldade em responder às necessidades das populações”, esclareceu.

Outra problemática encontrada na realidade daquelas duas unidades prende-se com as instalações, que, segundo conclusão de Luísa Salgueiro, são “desadequadas”. “Já existe uma solução, com a requalificação de um edifício, por isso dentro de algum tempo esse problema deverá ficar resolvido. Depois compete ao serviços do Ministério da Saúde reforçar as equipas, abrir concurso para que se possa preencher as necessidades que se verificam neste momento”, sublinhou.

Apesar das dificuldades ao nível do número de médicos, os deputados foram unânimes a elogiar a “dedicação”, “empenho” e “competência” dos profissionais de saúde que encontraram nas várias unidades.

 

Dispersão de serviços e falta de coordenação são outras dificuldades enumeradas pelos deputados

Na sequência da visita, Jorge Machado lamentou ainda “a grande dispersão territorial” do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes, bem como a “excessiva concentração de serviços e valências no hospital de Vila Real e o esvaziamento do hospital de Chaves”.

Segundo o deputado, numa região que sofre com o processo de envelhecimento da população e a inexistência de uma rede de transportes públicos capazes de dar a resposta necessária, põe-se em causa o “acesso” das pessoas aos serviços de saúde.

“O afastamento do que são os serviços saúde aos utentes deixa-nos muito preocupados. Preocupa-nos o futuro da pediatria em Chaves depois de encerrada a maternidade e as consequências que isso tem”, defendeu ainda o mesmo deputado, referindo ainda “o facto de haver cada vez mais mulheres que não têm assegurado o transporte para fazerem os exames de rotina em Vila Real”.

Luísa Salgueiro denunciou ainda outro constrangimento verificado, a falta de “articulação entre os cuidados de saúde primários e os cuidados hospitalares”. “Tínhamos conhecimento que em Chaves haveria queixas de algum esvaziamento de valências para a concentração em Vila Real”, no entanto, “a principal dificuldade que nos foi relatada não é o esvaziamento mas a falta de articulação entre os cuidados de saúde primários e os cuidados hospitalares”, explicou a socialista, relatando que “não há uma referenciação correta e o que se verifica é que existe muitos utentes que se deslocam ao hospital porque os Centros de Saúde, as Unidades de Saúde Familiar, não dão a resposta devida”.

O objetivo da visita dos deputados é a constatação no terreno das principais dificuldades ao nível da saúde, sendo certo que depois de tiradas as suas conclusões, a Comissão elaborará um relatório e cada grupo parlamentar defenderá as suas preocupações na Assembleia da República.

-PUB-


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