Vila RealDescoberta vai marcar a história do Vinho do Porto

Descoberta vai marcar a história do Vinho do Porto

Um documento datado de 1142 indica que “o começo da enorme Epopeia da Vinha e do Vinho, no Alto Douro Vinhateiro” data do século XII e situa o início da produção do, hoje tão afamado, Vinho Porto na Casa dos Varais. A descoberta vem trazer uma “responsabilidade acrescida” aos atuais proprietários da quinta que, localizada em Lamego, já tem um lugar próprio na região, tendo sido uma das pioneiras em vários setores, como por exemplo no turismo rural e enológico.

Na edição do próximo mês da revista “Douro: Estudos e Documentos”, editada pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, um historiador natural da região avança com a descoberta de um documento que revela o local onde pela primeira vez terá sido produzido o Vinho do Porto.

Publicada em setembro, a revista revelará assim um trabalho de investigação de 15 páginas da autoria de Altino Cardoso, investigador reguense, que, depois de estudos prolongados sobre a História do Douro e tendo como base aquela que será a primeira escritura relacionada ao setor da vinha na região, dá uma data e uma morada ao início da produção do ‘néctar’ da região património mundial.

A investigação levou Altino Cardoso a uma viagem desde a “própria Fundação de Portugal, por D. Afonso Henriques e Egas Moniz”, até à descoberta, na Torre do Tombo, de “uma escritura de compra (1142) de uma herdade na foz do Varosa, nos Varais, por Cister de S J de Tarouca”, local onde terá então sido produzido pela primeira vez o Vinho do Porto, na altura chamado de “vinho cheirante de Lamego”.

“Nesta propriedade plantaram os monges os primeiros vinhedos do Douro, com castas trazidas da Borgonha, donde era proveniente a Ordem de Cister, bem como o seu mentor S. Bernardo e o Conde D. Henrique”, explicou ao Nosso Jornal o investigador licenciado pela Universidade de Coimbra.

Altino Cardoso lembra ainda que “o consumo de vinho era proibido pelo Alcorão aos muçulmanos, assim, as últimas vinhas do Douro já não existiam desde o tempo dos Romanos, quatro séculos antes, sendo paradigmática da atividade vitivinícola romana, pré-nacional, a Fonte do Milho, em Canelas (Régua), atualmente em recuperação arqueológica”.

“A descoberta desta escritura vem, com toda a segurança histórica, estabelecer logo no início da Nacionalidade o começo da enorme Epopeia da Vinha e do Vinho, no Alto Douro Vinhateiro, hoje Património Mundial”, garante.

“Essa informação surpreendeu-nos claro”, explicou João de Azeredo, atual responsável pela quinta, que está na sua família, pelo menos, desde o século XVIII.

Segundo o mesmo responsável, ser proprietário de um espaço tão importante na história da região traz uma “responsabilidade” acrescida uma vez que despertará um “interesse maior” à propriedade.

Essa informação “vai abanar com tudo aquilo que se escreveu sobre a história do Vinho do Porto”, considerou João de Azeredo, lamentando que, depois de um grande incêndio ocorrido em 1940, na casa principal da quinta, muitos documentos históricos da propriedade se tenham perdido.

Localizada na margem esquerda do rio Douro, na freguesia de Cambres, concelho de Lamego, a Quinta dos Varais tem hoje 9,5 hectares e produz à volta de 35 pipas de vinho. Segundo João de Azeredo, filho dos atuais proprietários, “desde a década de 80 que a propriedade tem sofrido várias transformações, quer na área da viticultura (mecanização das parcelas de vinha e seleção de castas), como na da vinificação (adaptação dos lagares de pedra, mais funcionalidade, etc.) e também na área do Turismo de Habitação (contando hoje com seis quartos)”.

Além de desenvolver a parte do turismo proporcionando aos seus visitantes uma estadia ‘fiel’ às tradições durienses, que passa também pela experiência da pisa a pé na altura das vindimas, a Casa dos Varais mantém vivos outros projetos, um deles, já aprovado e que espera por financiamento, que passa pela de criação de um novo espaço na “Casa do Óscar”, edifício localizado na quinta e classificado pelo IGESPAR como Património de Interesse Arquitetónico, onde os visitantes poderão viver mais e diferentes experiências ligadas à região.

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