Sábado, 16 de Outubro de 2021
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Desemprego na vinha

É um sinal preocupante e o reflexo da crise económica que está também a afectar o sector laboral vitivinícola do Douro. A redução da oferta de trabalho está a atingir os assalariados rurais, fruto da falta de liquidez dos pequenos e médios lavradores, a braços com a baixa dramática do preço dos vinhos.

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A Associação de Viticultores Independentes do Douro, AVIDOURO, alerta para o aumento do desemprego agrícola na região duriense. Esta associação está preocupada com a situação que afecta o sector e reclama medidas urgentes de apoio para minorar a “grande quebra de rendimento dos pequenos e médios agricultores”.

Berta Santos, secretária geral da Avidouro, fez o ponto da situação ao Nosso Jornal. “O maior problema está centrado nos pequenos e médios viticultores que têm trabalhadores sazonais e também assalariados. Parece que estamos a retroceder. Alguns dizem que nunca estiveram tão mal e recorrem à família para efectuarem intervenções de rotina na vinha. Actualmente, já não contratam ninguém, preferem ser eles próprios a efectuar os trabalhos na vinha. Depois da vindima, os assalariados emigram, vão trabalhar para outros países. No entanto, esta situação está a ser acompanhada com muita atenção”.

A crise instalada está a levar os viticultores “a vender os seus terrenos ao desbarato”. “Isto é um sintoma grave do que se passa no Douro, havendo já muitas famílias a passar dificuldades. É um problema social que vai aumentar e, se não forem tomadas medidas, no âmbito do preço dos vinhos, tudo ficará mais complicado”, alerta esta dirigente associativa.

Por último, Berta Santos deixou uma reflexão importante. “Para falarmos de turismo no Douro, temos de abordar também o “lado B” da região, ou seja, não haverá turismo que resista, se esta paisagem, que é trabalhada pelo pequeno e médio viticultor, começar a ser vendida ao desbarato e abandonada”.

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