“No início, quando chegámos, foi um impacto para a população. Mas depois as pessoas foram-se habituando”, recordou Ivone Borges que há 15 anos entrou para a Guarda Nacional Republicana (GNR), na altura entre as primeiras militares colocadas no Comando Territorial de Vila Real.
Apenas dois anos depois da GNR ter começado a admitir mulheres, Ivone Borges tomou a decisão de seguir carreira nas forças de segurança, tendo concorrido na altura tanto para a Guarda, como para a Polícia de Segurança Pública (PSP). “Era uma profissão que sempre me aliciou e gosto”, sublinhou.
Ingressada na GNR, a vila-realense natural de Guiães, foi logo colocada no destacamento do Peso da Régua, onde ainda hoje desempenha funções, agora enquanto parte da equipa local de programas especiais, como por exemplo o “Escola Segura” ou o “Idosos em Segurança”.
“Estou aqui desde 1997. Inicialmente, estive a exercer funções no posto territorial da Régua, a nível do patrulhamento. Depois passei para a secretaria, onde estive algum tempo e, em 2005, para a Escola Segura – Núcleo de Programas Especiais”, recordou.
Relativamente à forma como foi recebida pelas po-pulações, Ivone Borges lembra que “houve algum impacto”, no entanto, depressa as pessoas se habituaram a ver os rostos femininos ligados às questões da segurança. “Estamos nesta profissão e temos que lidar com todas as situações que nos aprecem, e há de tudo, mas, discriminação nunca senti, antes pelo contrário, até acho que nos respeitam mais do que às vezes aos homens”, testemunhou.
Sobre a forma de conciliar a família com a vida profissional, a Guarda, mãe de três filhos, explica que é um pouco complicado, até porque o marido é PSP e está em Lisboa, e é a própria que “tem que gerir tudo”, no entanto, em vez de lamentar, garante que “tudo se faz, tudo se resolve”.
Apesar de já ter passado por vários serviços, Ivone Borges tem hoje, sobretudo, um papel de proximidade com as escolas da Régua, uma proximidade que se pode testemunhar por quem a acompanhar numa das suas habi-tuais deslocações aos vários estabelecimentos de ensino, onde é recebida sempre com boa disposição e sorrisos por parte não só de professores e funcionários como também dos alunos.
Mas nem tudo é fácil, na memória ficam registadas para sempre momentos menos bons, como por exemplo cenários de vida complicados com os quais tem que lidar. “Há coisas que nos marcam. Coisas que a gente vê e que pensa que já não era possível acontecer”, relatou, descrevendo por exemplo o quanto “magoa” ver idosos “a vive-rem em condições” que muitas pessoas não fazem ideia que ainda existem, ou ter que lidar com situações de violência com crianças.
No rol das muitas experiências que tem para contar dos seus 15 anos na GNR, Ivone Borges garante que não existe qualquer situação negativa pelo facto de ser mulher, revelando que “nunca ninguém lhe faltou ao respeito ao nível dos seus colegas como dos superiores”.
Atualmente, o Comando Territorial da GNR de Vila Real conta com o trabalho de 15 mulheres num efetivo total de 624 militares que estão distribuídas por todo o território e pelos vários serviços, desde a parte administrativa até à investigação criminal.
No caso da Polícia de Segurança Pública (PSP), a re-presentatividade feminina é superior uma vez que do universo de 206 agentes (119 em Vila Real e 88 em Chaves) também 15 são mulheres, todas igualmente integradas nos mais variados serviços e departamentos.




