É uma autêntica preciosidade medalhista e que está nas mãos de Sílvio Teixeira: a magnífica medalha em prata, alusiva ao Circuito Automóvel de Vila Real, referente ao ano de 1933. Porém, esta referência tem uma velha história, datada de 1974, altura em que a Câmara Municipal de Vila Real apareceu a exigir a entrega da medalha. Porém Sílvio Teixeira sempre a considerou sua.
A autarquia entende que, na altura, Sílvio Teixeira era, apenas, o fiel depositário daquela medalha, posição rebatida pelo seu dono: “Ela encontra-se em meu poder, pois fui eu que a paguei”.
Sílvio Teixeira recordou alguns passos sobre a forma como a referida medalha lhe veio parar às mãos: “Quando ainda me dedicava à medalhística e no decurso da transição do Regime de Salazar/Caetano para Abril de 1974, a situação era deveras confusa e a Câmara Municipal de Vila Real estava confiada a diversos elementos integrados nos respectivos partidos políticos. Então, José Rogério Pereira Fernandes, eleito pelo PCP e que presidia à C.M.V.R veio à minha presença, com a foto de uma medalha em prata, do Circuito de Vila Real, de 18 de Junho de 1933, para eu lhe atribuir o valor, ficando este estimado em 2.500 escudos. O dono da medalha enviou-a, de Setúbal (salvo erro), à cobrança, para a CMVR. Como esta não estava interessada, o José Rogério Pereira Fernandes assinou o aviso dos CTT, com o carimbo da Câmara, e, atendendo ao meu interesse, disse-me para a levantar, pagando eu as consequentes despesas, para que a medalha não fosse devolvida e assim fiz”.
Por causa deste testemunho numismático, Sílvio Teixeira, em 1974, ainda chegou a ser ameaçado com a prisão, por um elemento do executivo.
“O Dr. Marcelino Torres, enfurecido, continuou a dizer que eu era apenas depositário da medalha e não dono dela, embora a tivesse pagado” – contou Sílvio Teixeira.
Este raro exemplar junta-se a mais dois, também de grande valor, uma medalha de Julho de 1981, referente ao fundador do Circuito, Aureliano Barrigas, e outra referente ao XX Circuito Automóvel.
Jmcardoso





