Este ano, as verbas inscritas no PIDDAC, para os 14 concelhos do distrito de Vila Real, representam uma quebra, relativamente ao ano passado, de cerca de 20 por cento. Da listagem do investimento da Administração Central no distrito é de salientar “os zeros” de dotação para Boticas e Montalegre.
O Ministério da Finanças apresentou, no dia 12, o Plano de Investimento e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC), um documento que reserva, para o Distrito de Vila Real, um total de 51, 9 milhões de euros.
Os planos financeiros do Governo apontam para o regresso de um investimento nulo, no Município de Boticas, e, ainda, uma dotação de “zero”, para Montalegre.
Depois do concelho de Vila Real, que conta com um montante de 2,7 milhões de euros, no “ranking” distrital de valores seguem-se Chaves (1,4 milhões), Alijó (1,3 milhões), Valpaços (845 mil), Peso da Régua (498 mil), Sabrosa (143 mil), Santa Marta de Penaguião (100 mil), Ribeira de Pena (57 mil), Mondim de Basto (47 mil), Mesão Frio (30 mil), Murça (5,5 mil) e, finalmente, Vila Pouca de Aguiar que foi “presenteado” com, apenas, 580 euros.
Fernando Campos, Presidente da Câmara Municipal de Boticas, considerou “caricato” que, pelo segundo ano consecutivo, o seu Município não seja contemplado com qualquer verba em PIDDAC, dizendo, mesmo, que a situação começa a parecer “perseguição político-partidária”.
Para outros, os números não são reveladores do verdadeiro investimento do Governo, como para o autarca de Montalegre que, apesar de também não ter qualquer projecto abrangido pelo plano de investimentos, afirma que tem garantias, por exemplo, que receberá o apoio necessário para a beneficiação da Estrada Nacional 103, entre Montalegre e Braga.
Rui Santos, Presidente da Distrital de Vila Real do Partido Socialista, defendeu, mesmo, que o PIDDAC, neste momento, representa, apenas, “uma ínfima parte” do investimento público que é feito na região, recordando que, no passado, muitas obras foram realizadas com o apoio do Governo, sem estarem inscritas em PIDDAC.
Apesar disso, Mário Costa, da Direcção Regional de Vila Real do Partido Comunista Português, considera que o PIDDAC é “vergonhoso”, tendo em conta uma redução superior a 25 por cento, relativamente a 2007.
“O Governo continua a não ter qualquer respeito pelo interior”, frisou o mesmo responsável político, lamentando que, por exemplo, na Madeira, uma zona franca com mais benefícios fiscais, exista uma inscrição, no Orçamento de Estado, superior a 800 milhões de euros.
Manuel Martins, Presidente da Câmara Municipal de Vila Real, deixou qualquer comentário para mais tarde, “depois de uma análise, mais a fundo, do documento”. No entanto, no bolo previsto para a capital de distrito (2,6 milhões de euros) é de salientar a fatia destinada ao Museu do Douro, no Peso da Régua, de cerca de 1,8 milhões de euros, e, ainda, os projectos de criação do Centro de Saúde número 3 (100 mil euros) e a ampliação do Hospital Veterinário e da cantina da Quinta de Prados da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (362 mil euros, no total).
No distrito de Bragança, os números são menos e os “zeros” mais, já que os 45 milhões de euros previstos para aquele distrito transmontano serão distribuídos por, apenas, metade dos seus 12 concelhos.
Maria Meireles

